terça-feira, 19 de setembro de 2023

Prepare-se Para o Melhor!

 


1 Pedro 3:8-17

Um pastor consagrado, preste a fazer uma cirurgia séria, recebeu a visita de um amigo que foi orar por ele no hospital.

– Algo interessante aconteceu hoje – comentou o pastor. – Uma das enfermeiras olhou para meu prontuário e disse: “Pois é, pelo jeito você está se preparando para o pior!” Eu sorri para ela e respondi: “Não, estou me preparando para o melhor. Eu sou cristão, e Deus prometeu fazer todas as coisas cooperarem para o meu bem”. Rapaz, eu nunca vi uma enfermeira sair de um quarto tão depressa!

Meus irmãos, devemos nos preparar para uma vida vitoriosa, tanto diante dos homens como diante de Deus. Conforme diz Warren Wiersbe, “podemos experimentar as melhores bênçãos nos piores momentos”.

Pedro escreveu esta carta a fim de preparar os cristãos para o “fogo ardente” da tribulação e, no entanto, sua abordagem é otimista e positiva. Sua mensagem é “Preparem-se para o melhor!” Nesta seção, ele dá três instruções que devemos seguir a fim de experimentarmos as melhores bênçãos nos piores momentos. Como podemos nos preparar para o melhor?

1. CULTIVANDO O AMOR CRISTÃO (1 Pe 3:8-12)

Observamos que o amor é um tema que se repete ao longo das cartas de Pedro; não só o amor de Deus por nós, mas também nosso amor pelos outros. Pedro teve de aprender essa lição importante na própria vida, e não foi nada fácil! Jesus precisou ter muita paciência com ele!

Deve-se começar com o amor pelo povo de Deus (1 Pe 3:8). Aqui, a palavra “finalmente” tem o sentido de “em resumo”. Assim como a Lei toda se resume no amor (Rm 13:8-10), também os relacionamentos humanos, como um todo, se cumprem no amor. Isso se aplica a todo cristão em todas as áreas da vida.

Esse amor fica evidente na igualdade de ânimo (ver Fp 2:1-11). Unidade não é o mesmo que uniformidade; unidade é cooperação em meio à diversidade. Apesar de diferentes, as partes do corpo trabalham juntas em unidade. Os cristãos podem discordar quanto à forma de certas coisas, mas devem concordar quanto ao conteúdo e a motivação. Um homem criticou os métodos de evangelismo de D. L. Moody, que, por sua vez, respondeu: “Estou sempre pronto para melhorar. Que métodos vocè usa?” O homem confessou que não tinha método algum! “Então eu fico com o que tenho”, disse Moody. Quaisquer que sejam os nossos métodos, nosso alvo deve ser honrar a Cristo, ganhar os perdidos e edificar a igreja. Algumas abordagens são fiéis às Escrituras, enquanto outras são claramente contrárias aos padrões bíblicos, mas há espaço de sobra para variedade dentro da igreja.

Outro sinal de que há amor é a compaixão, uma empatia sincera em relação aos outros e suas necessidades. O termo “simpatia” tem origem nessa palavra grega. Não se pode endurecer o coração para o semelhante. Deve-se compartilhar tanto as alegrias quanto as tribulações (Rm 12:15). A base para isso é o fato de sermos irmãos e irmãs dentro da mesma família (ver 1 Pe 1:22; 2:17; 4:8; 5:14). Somos “por Deus instruídos que [devemos amar] uns aos outros” (1 Ts 4:9).

O amor revela-se na piedade, na ternura com o outro. No império romano, tal qualidade não era considerada admirável; mas a mensagem do evangelho mudou esse paradigma. Hoje, somos tão bombardeados por notícias ruins que é fácil criar uma couraça e ficar insensíveis. É preciso cultivar a compaixão e mostrar ativamente a outros que nos preocupamos com eles.

Também é preciso ser “humildes”, pois a humildade é a base para a gentileza, e a pessoa humilde pensa primeiro nos outros.

Não se deve apenas amar o povo de Deus, mas também amar os inimigos (1 Pe 3:9). Os destinatários desta carta passavam por certa perseguição pessoal por fazerem a vontade de Deus. Pedro adverte-os de que a perseguição oficial estava preste a começar, de modo que deveriam se preparar. A Igreja de hoje também deve se preparar, pois temos adiante tempos difíceis.

Como cristãos, vivemos em um de três níveis. É possível retribuir o bem com o mal – o nível satânico. É possível retribuir o bem com o bem e o mal com o mal – o nível humano. Ou é possível retribuir o mal com o bem – o nível divino. Jesus é o exemplo perfeito desta última abordagem (1 Pe 2:21­ 23). Como filhos amorosos de Deus, nossa filosofia não deve ser “olho por olho, dente por dente” (Mt 5:38-48), o fundamento da justiça. Devemos atuar com base na misericórdia, pois é assim que Deus nos trata.

É bem provável que essa admoestação tivesse um significado profundo para Pedro, pois, em certa ocasião, ele tentou lutar contra os inimigos de Jesus com uma espada (Lc 22:47-53). Antes de se converter, quando ainda era rabino, Paulo usou de todos os meios possíveis para se opor à Igreja; mas quando se tornou cristão, nunca usou armas humanas para lutar nas batalhas de Deus (Rm 12:17-21; 2 Co 10:1-6). Quando Pedro e os outros apóstolos foram perseguidos, confiaram na oração e no poder de Deus, não na própria sabedoria ou força (ver At 4:23ss).

Precisamos ser lembrados com frequência de nosso chamado como cristãos, pois isso nos ajuda a amar os inimigos e a lhes fazer o bem quando nos maltratam. Somos chamados para “[receber] bênção por herança”. As perseguições que sofremos na Terra hoje enriquecem nossa herança bendita de glória que desfrutaremos um dia no céu (Mt 5:10-12). Mas, ao tratarmos os inimigos com amor e misericórdia, também herdamos uma bênção hoje. Ao compartilhar uma bênção com eles, somos abençoados! A perseguição pode ser um tempo de enriquecimento espiritual para o cristão. Os santos e mártires da história da Igreja dão testemunho desse fato.

Devemos amar uns aos outros, amar os inimigos e amar a vida (1 Pe 3:10-12). A notícia da perseguição iminente não deveria levar o cristão a desistir da vida. Os tempos que, para o mundo, são “dias sombrios”, para o cristão podem ser “dias felizes”, se cumprir certas condições.

Em primeiro lugar, é preciso tomar o firme propósito de amar a vida. Trata-se de um ato da volição: “Pois quem quer amar a vida”. É uma atitude de fé capaz de ver o que há de melhor em cada situação. É o oposto da atitude pessimista expressa em Eclesiastes 2:17: “Pelo que aborreci a vida, […] tudo é vaidade e correr atrás do vento”. Podemos resolver suportar a vida e torná-la um fardo, escapar da vida como se estivéssemos fugindo da batalha, ou desfrutar a vida, porque sabemos que Deus está no controle. Pedro não sugere um tipo de exercício psicológico que afaste da realidade e faça negar os fatos. Antes, insta seus leitores a abordarem a vida de maneira positiva e pela fé, aproveitando ao máximo cada situação.

Em segundo lugar, é preciso controlar a língua. Muitos problemas da vida são causados por palavras erradas, ditas com o espírito errado. Todo cristão deve ler Tiago 3 com frequência e orar as palavras do Salmo 141:3 diariamente. Pedro sabia muito bem como são tristes as consequências das palavras impensadas! Não há lugar para mentiras na vida do cristão.

Em terceiro lugar, é preciso amar o bem e detestar o mal. Precisamos tanto do positivo quanto do negativo. O termo “apartar-se” significa não apenas “evitar”, mas “evitar alguma coisa porque a desprezamos e a consideramos repugnante”. Não basta evitar o pecado porque ele é errado. É preciso afastar-se dele por detestá-lo.

Por fim, é preciso buscar a paz e se empenhar por alcançá-la. “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5:9). Quem sai à procura de encrenca não terá dificuldade em encontrá-la. Não se trata de uma política de “paz a qualquer preço”, pois a paz deve sempre ser baseada na justiça (Tg 3:13-18). Significa apenas que o cristão deve usar de modera­ção ao se relacionar com as pessoas e não criar problemas só porque deseja que as coisas sejam feitas a sua maneira. “Se possí­vel, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12:18). Por vezes, isso não é possível! Em Romanos 14:19 somos admoestados a trabalhar com afinco para obter a paz, pois ela não ocorre naturalmente.

– Mas e se nossos inimigos se aproveitarem de nós? – um cristão perseguido pode perguntar. – Talvez nós estejamos buscando a paz, mas eles estão procurando guerra!

Pedro assegura seus leitores de que os olhos do Senhor estão sobre seu povo, e seus ouvidos estão abertos para suas ora­ções (Pedro aprendeu essa lição ao tentar caminhar sobre as águas sem olhar para Jesus; Mt 14:22-33). Devemos confiar que Deus nos protegerá e proverá, pois somente ele pode derrotar nossos inimigos (Rm 12:17-21).

Essas citações de Pedro são do Salmo 34:12-15, de modo que pode ser proveitoso ler o salmo inteiro. Ele descreve o conceito divino de “dias felizes”. Não são, necessariamente, dias sem dificuldades, pois o salmista escreve sobre seus medos (SI 34:4), problemas (SI 34:6, 17), aflições (SI 34:19) e até mesmo sobre seu coração quebrantado (SI 34:18). Para um cristão que ama a vida, um “dia feliz” não implica ser mimado e protegido, mas sim experimentar o socorro e as bênçãos de Deus por causa dos problemas e das tribulações da vida. É um dia no qual ele engrandece ao Senhor (SI 34:1-3), recebe repostas a suas orações (SI 34:4-7), prova a bondade de Deus (SI 34:8) e sente a proximidade de Deus (SI 34:18).

Da próxima vez que pensar que está tendo um “péssimo dia” e detestar a vida, convém ler o Salmo 34, a fim de descobrir que, na verdade, está tendo um “dia feliz” para a glória de Deus!

2. VIVENDO SUJEITOS AO SENHORIO DE CRISTO (1 Pe 3 :13 – 15)

Estes versículos introduzem a terceira seção principal de 1 Pedro – a graça de Deus no sofrimento. Apresentam o princípio espiritual importante de que o temor do Senhor conquista todos os outros temores. Pedro cita Isaías 8:13, 14 para apoiar sua admoesta­ção: “Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração” (1 Pe 3:15).

O contexto das palavras de Isaías é significativo. Acaz, rei de Judá, enfrentava uma crise em função de uma invasão iminente do exército assírio. Os reis de Israel e da Síria queriam que Acaz se juntasse a eles em uma aliança, mas Acaz recusou-se, de modo que Israel e a Síria ameaçavam invadir Judá! Nos bastidores, Acaz aliou-se à Assíria. O profeta Isaías o advertiu sobre alianças ímpias e o instou a confiar que Deus daria o livramento. “Ao S e n h o r dos Exércitos, a ele santificai; seja ele o vosso temor, seja ele o vosso espanto” (Is 8:13).

Todo cristão enfrenta crises e é tentado a ceder aos medos e a tomar decisões erradas. Mas “[santificando] a Cristo como Senhor” no coração, jamais será preciso temer os homens ou as circunstâncias. O inimigo pode nos ferir, mas não nos derrotar. Somente nós mesmos podemos nos derrotar ao deixar de confiar em Deus. De modo geral, ninguém se opõe a nós quando fazemos o bem; mas mesmo se houver tal oposição, é melhor sofrer por aquilo que é justo do que comprometer o testemunho. Pedro trata desse tema em detalhes em 1 Pedro 4:12-19.

Se Jesus Cristo for o Senhor do coração, em vez de sentir medo diante do inimigo, é possível experimentar bênçãos. O termo “bem-aventurados” em 1 Pedro 3:14 é o mesmo empregado em Mateus 5:1 Oss. Trata-se de parte da “alegria indizível e cheia de glória” (1 Pe 1:8).

Quando Jesus Cristo é Senhor da vida, cada crise torna-se uma oportunidade para testemunhar. Estamos “sempre preparados para responder”. O termo apologia vem da palavra grega traduzida por “resposta” e significa “uma defesa apresentada em um tribunal“. A “apologética” é o ramo da teologia que trata da defesa da fé. Todo cristão deve ser capaz de defender de maneira fundamentada sua esperança em Cristo, especialmente em meio a situações desesperadoras. Quando o cristão age com fé e esperança, uma crise gera a oportunidade de testemunhar, pois essa diferença em atitude chama a atenção dos incrédulos.

O testemunho deve ser dado “com mansidão e temor [respeito]”, não com arrogância nem com uma postura de quem sabe tudo. Somos testemunhas, não advogados de acusação! Também é preciso estar certos de que a vida corrobora a apologia. Pedro não sugere que os cristãos argumentem com os incrédulos, mas sim que lhes apresentem de maneira amorosa um relato daquilo que crêem e os motivos para tais convicções. O objetivo não é ganhar uma discussão, mas sim ganhar almas perdidas para Cristo.

O que significa “[santificar] a Cristo como Senhor” no coração? Significa entregar tudo a ele e viver de modo a lhe agradar e a glorificá-lo. Significa maior temor de lhe desagradar do que medo do que os homens podem fazer. Essa abordagem simplifica a vida de maneira maravilhosa! Trata-se de uma combinação de Mateus 6:33 e de Romanos 12:1,2 em uma atitude diária de fé que obedece à Palavra de Deus apesar das consequências. Significa não se contentar com menos do que a vontade de Deus na vida (Jo 4:31-34). Um dos sinais de que Jesus Cristo é Senhor da vida é a prontidão com que testemunhamos a outros sobre ele e procuramos ganhá-los para Cristo.

3. MANTENDO UMA BOA CONSCIÊNCIA (1 Pe 3:16,17)

A palavra “consciência” vem de dois termos latinos: com, que tem o mesmo significado em nossa língua, e “saibamos como, que significa “saber”. A consciência é o árbitro interior que testemunha a nós, permitindo que “saibamos com”, aprovando ou censurando nossas ações (ver Rm 2:14, 15). A consciência pode ser comparada a uma janela que deixa entrar a luz da verdade de Deus. Se persistimos em desobedecer, a janela torna-se cada vez mais suja, até o ponto em que a luz não pode mais entrar. Isso leva a uma “consciência […] corrompida” (Tt 1:15). A consci­ência “cauterizada” é aquela contra a qual já se pecou tantas vezes que ela perde sua sensibilidade para o certo e o errado (1 Tm 4:2). A consciência pode encontrar-se de tal modo corrompida a ponto de aprovar quando a pessoa faz algo mau e de censurá-la quando faz algo bom! É isso o que a Bí­blia chama de “má consciência” (Hb 10:22).

O criminoso sente-se culpado se delata os amigos, mas se sente bem se consegue realizar um crime com sucesso!

A consciência depende do conhecimento, a “luz” que passa pela janela. Ao estudar a Palavra, o cristão passa a compreender melhor a vontade de Deus, e sua consciência torna-se mais sensível para o que é certo e errado. Uma “boa consciência” nos acusa quando pensamos ou fazemos algo errado e aprova quando fazemos algo certo. Manter a consciência forte e pura é algo que exige “esforço” (At 24:16). Sem crescer em conhecimento espiritual e em obediência, teremos uma “consciência fraca” (1 Co 8).

De que maneira uma boa consciência ajuda o cristão em tempos de tribulação e de oposição? Em primeiro lugar, o fortalece com coragem, pois ele sabe que sua vida está em ordem com Deus e com os homens, de modo que não há coisa alguma a temer. O monumento a Martinho Lutero em Worms, na Alemanha, traz a seguinte inscrição, com suas palavras de coragem proferidas diante do concílio da igreja em 18 de abril de 1521: “Esta é a minha posição; não posso agir de outra maneira. Que Deus me ajude. Amém”. Sua consciência vinculada à Palavra de Deus lhe deu coragem de desafiar toda a igreja como instituição!

Uma boa consciência também dá paz ao coração e, quando temos paz interior, é possível enfrentar as batalhas exteriores. A inquietação de uma consciência desconfortável divide o coração e esgota as forças de uma pessoa, impedindo que ela dê o melhor de si. Como é possível testemunhar de Cristo com ousadia quando a consciência está testemunhando contra nós?

Uma boa consciência remove o medo do que outros talvez saibam a nosso respeito e do que possam dizer ou fazer contra nós. Quando Cristo é Senhor e tememos somente a Deus, não é preciso ter medo de ameaças, opiniões ou ações de inimigos. “O S e n h o r está comigo; não temerei. Que me poderá fazer o homem?” (SI 118:6). Foi isso o que Pedro não conseguiu entender quando temeu o inimigo e negou o Senhor.

Pedro deixa claro que a consciência de per si não serve como teste para o que é certo ou errado. Uma pessoa pode praticar “o que é bom” ou praticar “o mal”. A pessoa que desobedece à Palavra de Deus e declara que isso é certo simplesmente porque sua consciência não a acusa está admitindo que há algo extremamente errado com sua consciência. A consciência é um guia seguro somente quando é instruída pela Palavra de Deus.

Na sociedade de hoje, a tendência é os cristãos serem, cada vez mais, alvo de acusa­ções e de mentiras. Nossos padrões pessoais são diferentes daqueles do mundo não cristão. Via de regra, os cristãos não criam problemas, mas apenas os revelam. Quando um cristão começa a trabalhar em um escritório ou se muda para um apartamento com colegas não cristãos, os problemas não custam a surgir. Os cristãos são luz em um mundo de trevas (Fp 2:15) e revelam as “obras infrutíferas das trevas” (Ef 5:11).

Quando José começou a servir como mordomo na casa de Potifar e se recusou a pecar, foi acusado falsamente e lançado na prisão. Os líderes do governo na Babilônia tramaram para colocar Daniel em apuros, pois sua vida e seu trabalho testemunhavam contra eles. Por meio de sua vida aqui na Terra, o Senhor Jesus Cristo revelou o cora­ção e os atos pecaminosos do povo e, por isso, foi crucificado (ver Jo 15:15-25). “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3:12).

A fim de manter uma boa consciência, é preciso tratar do pecado na vida e confessá-lo de imediato (1 Jo 1:9). Deve-se “manter a janela limpa” e gastar tempo com a Palavra de Deus para “deixar a luz entrar”. Uma consciência forte é resultante de obediência baseada em conhecimento. Torna o cristão uma testemunha vigorosa para os não salvos e lhe dá forças em tempos de perseguição e de dificuldades.

O sofrimento do cristão não deve ser decorrente de praticar o que é mau, e nenhum cristão deve se surpreender ao sofrer por praticar o que é bom. Nosso mundo está tão confuso que as pessoas “fazem da escuridade luz e da luz, escuridade” (Is 5:20). Os líderes religiosos do tempo de Jesus o chamaram de “malfeitor”, isto é, “alguém que faz aquilo que é mal” (Jo 18:29, 30). Como as pessoas podem enganar-se!

Quando a igreja enfrenta tempos difíceis, o melhor a fazer é cultivar o amor cristão, pois a ajuda e o encorajamento mútuos são mais necessários do que nunca. Também se deve manter uma boa consciência, pois ela fortalece a determinação e confere ousadia ao testemunho. O segredo é viver sujeitos ao senhorio de Jesus Cristo. Ao temer a Deus, não é preciso ter medo de homens. “A vergonha surge quando se teme os homens”, disse Samuel Johnson. “A consciência, por sua vez, nasce do temor a Deus.

Adp. WW/EVF

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

CALEBE, UM EXEMPLO DE FÉ

 


Calebe, um homem que decidiu em seguir ao Senhor

Josué 14.6-15

Calebe foi um herói da fé, sua vida é um exemplo de fé e perseverança para que hoje nós possamos continuar firmes nas promessas do Senhor independente das circunstâncias.

Este texto registra uma conversa entre Josué e Calebe, os dois únicos homens que confiaram nas promessas de Deus que daria para o povo de Israel uma terra com riqueza e abundância, enquanto os outros espias foram incrédulos. Eles saíram do Egito de maneira espetacular, atravessaram o deserto sendo alimentados todos os dias de forma milagrosa. Chovia alimento, o maná que Deus enviava para Israel todos os dias e até fez brotar água  da rocha para saciar a sede dos israelitas. Mas quando chegou a hora de tomar posse da terra prometida, os dez espias que foram enviados para olhar a terra de Canaã, ficaram com medo dos gigantes que habitavam aquela terra.

Dos doze homens enviados para espiar a terra, apenas dois: Josué e Calebe trouxeram uma visão positiva a respeito das possibilidades de conquistar aquela terra prometida pelo Senhor, pois eles decidiram em confiar em Deus.

O povo como sempre, ficou do lado da maioria, pois se deixaram levar pelo discurso dos dez espias. Preferiram acreditar no relato dos dez do que no relato de dois. Isso não é novidade, como a gente pode ver aqui, a maioria prefere a maioria.

Calebe não fez como a maioria que diante do relato dos homens tiveram medo, deixaram morrer sua fé e esperança. Aos oitenta e cinco anos o servo do Senhor Calebe afirma: “Estou pronto. Treinei esse tempo todo. Não desisti, não morri. Minha fé e esperança continuam aqui gerando perseverança. Estou pronto”. 

Calebe era representante da tribo de Judá entre os doze espias enviados por Moisés de Cades-Barneia para espiarem a terra Prometida. Josué representavam a tribo de Efraim na mesma missão. Eles eram os únicos espias que ainda viviam, de todos os Israelitas que saíram do Egito, por crerem na promessa de Deus e serem fiéis a Ele.

Moisés fez uma promessa a Calebe quando ele visitou a terra de Canaã como espia. O verso 9 registra esta promessa de Moisés a Calebe: “Certamente a terra em que puseste o pé será tua e de teus filhos, em herança perpetuamente; pois perseveraste em seguir o SENHOR meu Deus.”  Aqui está a chave para a felicidade. A perseverança é a chave. Com este homem de fé podemos aprender como reagir diante das adversidades e a extrema importância de perseverar no Senhor. Calebe foi um homem de fé:

I. PORQUE ELE NÃO SE DEIXOU LEVAR PELA INCREDULIDADE (Números 13.25-33).

Os próprios israelitas pediram a Moisés o envio de espias para saber como era a terra (Dt 1.22). Uma atitude desnecessária e incrédula da parte do povo, porque Deus já lhes havia falado que a terra da promessa era fértil e abundante. Que prova a mais esse povo necessitava? O povo não falhou diante da Terra Prometida, já havia falhado aqui, demonstrando incredulidade naquilo que Deus havia dito e preferido andar por vista em vez de agir por fé.

Moisés ouviu o conselho do povo e escolheu doze homens para espiar a terra de Canaã. Eles deveriam observar o local, expor um relatório completo de tudo que iriam presenciar e trazer sobre aquela terra (Nm 13.18-20).

Confiados apenas no que viram na terra de Canaã, sem atentar para o que ouviram da parte de Deus, deram ocasião a dúvida e assim desistiram de tomar posse da promessa (Pv 3.5, 6). Porque eles se deixaram levar por uma visão negativa e pessimista, não obstante a manifestação do poder de Deus sobre eles, pois no deserto Israel era protegido durante o dia por uma coluna de nuvem e a noite por uma coluna de fogo, de tal maneira que eles podiam caminhar de dia e de noite (Êxodo 13.21,22; 14.24; 40.38; Números 14.14; Neemias 9.12,19; Salmos 99.7; 105.39; 1 Coríntios 10.1). A coluna de nuvem protegia o povo do sol escaldante do deserto e a coluna de fogo aquecia e guiava o povo de Israel durante a noite. A Palavra de Deus nos diz que a coluna de fogo e de nuvem jamais se apartava dos israelitas (Êxodo 13.22), isto era a certeza da proteção e da orientação de Deus continuamente.

Os espias foram enviados para colher informações da terra prometida, não para fazer cálculos negativos de si mesmos, nem comparações acerca da estatura de seus moradores. Deus não disse nada a respeito, eles mesmos se inferiorizaram e disseram que não podiam (Nm 13.31-33). O problema todo estava na visão destes homens incrédulos. Todos temeram, inclusive Josué e Calebe. Mas eles viram a questão de outra forma e acreditavam no mesmo poder que os havia libertado do Egito (Nm 13.30). O discurso dos dez espias conduziu o povo a cair na incredulidade, na derrota, na perda da herança e no juízo de Deus. Tanto a confiança quanto a incredulidade contagiam. Podemos animar ou desanimar através de nossas palavras e atitudes (Js 14.8).

A incredulidade do povo fez com que o Senhor emitisse uma sentença (Nm 14.22, 23). Porém, com Calebe, o Senhor agiu de maneira diferente dizendo: “Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me eu o levarei à terra em que entrou, e a sua descendência a possuirá em herança” (Nm 14.24).

II. PORQUE ELE DECIDIU OBEDECER A DEUS (Nm 14.24; Josué 14.7,8).

Meus irmãos, não obstante o relatório dos companheiros de Calebe e a atitude do povo, Calebe decidiu obedecer e seguir ao Senhor. Vede o que diz o texto: “Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me eu o levarei à terra em que entrou, e a sua descendência a possuirá em herança” (Nm 14.24). Houve um momento em que Calebe teve que decidir entre seguir o povo ou seguir a Deus. Ele escolheu ser odiado pelo povo, tomando a firme decisão de eleger o Senhor como seu Deus. Calebe não quis seguir sua vontade própria, nem a dos demais. Ele decidiu por Deus, mesmo não sendo o caminho mais fácil.

Durante quarenta anos, ele e seu amigo Josué a andaram em círculo com seus irmãos, mesmo estando certo de que aquela era a terra de sua herança. Ele possuía motivos para desistir e desanimar, mas perseverou em seguir ao Senhor de todo o coração e Deus honrou a sua fé.

Podemos ver a luz da Palavra de Deus que Calebe tinha uma profunda confiança em Deus. Calebe era possuidor de uma confiança que subjugava o medo, as circunstâncias e a morte (Nm 14.9). Enquanto ele via o inimigo como pão, os outros dez se viam como gafanhotos. A incredulidade sempre encontra um porquê e maximiza o problema. Não há relato de que foram vistos com desprezo pelos filhos de Enaque, mas eles disseram: “éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos” (Nm 13.33). Eles incendiaram a alma do povo com um relato maior que a realidade e, por esse triste relatório, foram os primeiros a morrer (Nm 14.37).

O que aprendemos com Calebe não é a forma como vemos as coisas, mas como reagimos diante delas. Confiar em Deus não nos isenta de enfrentar problemas. Porém, se a perspectiva contém Deus e se é vista desde Sua ótica, tudo muda de forma radical. As circunstâncias enfrentadas serão as mesmas. Todavia, com Sua presença na batalha, teremos a força necessária para superar os obstáculos e ainda nos mantermos firmes até o final. A fé vê as circunstâncias através da ótica de Deus, foi esta a visão de Calebe (Nm 13.30; 14.9), também foi a visão de Davi quando enfrentou o gigante Golias (I Samuel 17.26b).

A incredulidade não vê Deus porque se fixa nas circunstâncias. Ela é caracterizada pela exclusão de Deus do seu raciocínio (Nm 13.31-33). Mas, quando o homem vive em obediência a Deus, não pode deixar de ver as lutas e os desafios de conformidade cm a ótica de Deus. Pois, se incluirmos Deus, todo o nosso raciocínio incrédulo se tornará anão diante de Sua maravilhosa e poderosa Presença (Hb 10.35-39).

Por que Deus conservou Calebe em vida? (Js 14.10). Primeiro, para sustentar o que havia prometido ao seu respeito acerca de sua entrada na Terra Prometida, porque certamente não o deixaria morrer sem que essa palavra se cumprisse. Segundo, porque no deserto o Senhor o fortalecia (Js 14.11). Calebe conhecia ao peso da Palavra do Senhor e sabia que, mesmo o deserto consumindo a todos, sua herança estava garantida (Nm 23.19). Quanto mais os anos se passavam, mais Calebe se fortalecia.

III. PORQUE ELE FOI UM HOMEM PERSEVERANTE (Josué 14.9-14)

Calebe não podia embasar sua confiança nos companheiros de missão, nem tampouco esperar qualquer reação de um povo impactado pelo medo. Ele teve que escolher entre seu povo e seu Deus. Perseverar foi para ele remar contra a maré e sofrer até que os dias de sentença se cumprissem. Mas, com ele podemos aprender que a perseverança é o segredo da vitória.

A perseverança nos contagia, porque não é fácil suportar quarenta e cinco anos de humilhação e manter-se com a mesma força e vitalidade (Dt 8.3). Calebe viveu pelo que acreditava e esse foi o segredo de sua inabalável fé e perseverança.

Calebe jamais pensou em desistir da terra que pisou o seu pé. Ele sabia que, mesmo habitada por gigantes, aquela era a terra de sua herança e, se Deus havia escolhido essa, não lhe importava outra (Dt 1.36). Calebe quis o plano original, descartou a possibilidade de um plano “b”, não permitindo que o tempo nem as circunstâncias aniquilassem aquela promessa. Calebe se destaca porque tinha em seu coração uma real convicção de que Deus estava dirigindo sua vida (Js 14.7). O próprio Deus afirmou que Calebe era homem de um espírito diferente, não somente por sua posição de fé, mas porque sua forma de agir e pensar se destacou diante dos demais (Nm 14.24).

Para muitas pessoas, a vida, além de ser uma tarefa difícil, algumas vezes pode ser absolutamente insuportável. E por que precisamos de perseverança? Porque ela é essencial, a única chave que pode abrir a porta da esperança (Rm 5.3-5). É mediante a perseverança que se constrói um caráter forte, sólido e esperançoso, que nos motiva a viver e lutar por nossos ideais.

Conta-se a história de um prisioneiro cristão que orava muito crendo que um dia seria liberto. Mas com o passar do tempo a sua esperança foi esvaindo-se. Já pensava que Deus o esquecera. Um dia, enquanto olhava a porta da cela, viu ali uma formiga subindo com uma folha várias vezes maior. Com muito esforço ela subiu um pouco, mas caiu com o peso da carga. A formiga voltou a subir carregando a folha. Caiu mais uma vez, mas pôs-se a subir novamente. Outras vezes era a própria folha que caía. Ela voltava, pegava a folha e retomava a subida. A formiga fez isso dezenas de vezes, muitas vezes tendo que recomeçar quando já estava bem perto de alcançar o seu objetivo. Então, aquele prisioneiro percebeu que a resposta à sua necessidade era perseverança e fé. Ele precisava ser firme na busca do seu alvo, crendo que de alguma maneira Deus o levaria até lá. Ele descobriu que precisava perseverar e crer.

Uma coisa é envelhecer no Senhor, outra bem diferente é crescer no Senhor, Calebe não somente envelheceu, ele conservou sua força através dos anos> Seria insano alguém ouvir o médico diagnosticar sua doença e pensar que, pelo fato de ter conversado com ele, o mal irá desaparecer repentinamente. Assim é a Palavra ouvida sem a prática (Tg 1.25). Infelizmente, Deus não ofereceu uma fórmula que produza cristãos amadurecidos da noite para o dia (Ef 4.13). Não há como fugir dos problemas, mas podemos nos preparar para confrontar nossos reveses, encará-los firmados em Cristo (Ef 6.10. 11).

CONCLUSÃO.

Calebe sofreu o desconforto de caminhar quarenta anos errante pelo deserto, por causa da desobediência dos seus irmãos. Mesmo assim, conservou suas forças e expulsou os mesmos gigantes que seus irmãos se recusaram a enfrentar. Calebe se distinguiu dos demais por ser perseverante e diferenciado. Que essas qualidades nos contagiem hoje! Que não venhamos a temer os desafios diante de nós, mas enfrentemos na dependência de Deus na certeza que ele é o Deus da providência. Nunca desista mas sejamos perseverantes para a glória de Deus.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

“Sou um juiz melhor por causa de Jesus”, diz William Douglas


William Douglas em evento da Lifeshape Brasil em SP. (Foto: Davi Seiffert)

O desembargador federal afirma ser um homem de dois livros: a Bíblia e a Constituição.

Durante um encontro com pastores, líderes e profissionais cristãos na última quarta-feira (17), em São Paulo, o desembargador federal William Douglas apresentou-se como “um homem de dois livros” — a Bíblia e a Constituição.

“O primeiro e mais importante é a Bíblia. Sou cristão, aceitei Jesus e esse livro me direciona. Mas eu também sou professor universitário e desembargador federal no Tribunal Regional Federal da 2ª região, então meu outro livro é a Constituição Federal. Enquanto o primeiro livro depende de fé para ser seguido, o segundo é a grande regra para todos os brasileiros, quer você goste ou não”, disse William.

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O juiz federal foi palestrante de um evento promovido pela Lifeshape Brasil, uma organização cristã que atua no desenvolvimento de lideranças. Também estiveram presentes executivos da Chick-fil-A, empresa baseada em valores cristãos nos EUA.

Dentro da temática do encontro, no qual o Guiame esteve presente, William Douglas foi chamado a responder à pergunta: Como o cristão pode ser relevante na sociedade? 

Ele então começou a refletir: “Antes disso, eu pergunto: como o cristianismo foi relevante na minha vida?”

“Sou pai, marido e um cidadão muito melhor do que seria se não fosse Jesus”, disse ele. “Jesus criou um juiz que se preocupa com o próximo. Se não fosse isso, estaria apenas preocupado com a minha carreira.”

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Trajetória impulsionada pelos “nãos”

Até conseguir vender mais de 1, 2 milhão de livros e dar palestras para mais de 2,5 milhão de pessoas no Brasil, William Douglas teve que lidar com muitos “nãos”.

Os primeiros “nãos” foram no início, nas repetidas reprovações nos concursos públicos. Depois de procurar ajuda entre os primeiros colocados das provas e ouvir o simpático conselho “se vira”, Douglas resolveu estudar com mais empenho e foi aprovado não apenas em uma, mas em diversas provas.

Ele foi o 1º colocado nos concursos para juiz de direito, defensor público e delegado de polícia. Além disso, também conseguiu ser o 3º colocado no concurso nacional de monografias sobre a Justiça Federal, 4º colocado para professor de direito na Universidade Federal Fluminense, 5º colocado no para analista judiciário e 8º colocado para Juiz Federal.

Muitas pessoas passaram a procurá-lo para entender como ele passou a conseguir tantas aprovações. A resposta “se vira”, na visão cristã de William, não era a mais adequada. Então ele decidiu publicar um livro de 700 páginas com dicas.


Encontro entre executivos da Chick-fil-A e líderes em SP. (Foto: Davi Seiffert)

Nessa fase, William encarou mais “nãos” — as editoras não enxergaram vantagem em publicar este tipo de conteúdo. Mais uma vez, o juiz federal decidiu fazer diferente. Ele fundou a Impetus, sua própria editora.

Daí surgiu o best seller “Como passar em provas e concursos“, o que o levou a ser conhecido como o “guru dos concursos”.

Testemunho na vida profissional

William acredita que até mesmo o desempenho e os resultados profissionais podem testemunhar o caráter cristão.

Em 2020, seu último ano atuando em um Tribunal de Primeira Instância, a 4ª Vara Federal de Niterói, a produtividade de sua equipe era de 121%.

“Um juiz foi na 4ª Vara perguntar para mim: William, como você consegue com o mesmo número de funcionários, o mesmo tipo de processo e o mesmo equipamento, produzir tão mais do que os outros?”

Ao responder, William entregou a ele o livro “As 25 leis bíblicas do sucesso”, um exemplar da Bíblia e disse: “Aqui nós praticamos a Bíblia — não de forma proselitista, mas de forma laica”, esclareceu. 

“Ele foi ao meu gabinete para ser evangelizado. Eu não tive que ir ao mundo, o mundo veio até mim quando eu tive um resultado secular que atrai.”

Luz do mundo

William afirma que costuma passar à sua equipe de trabalho algumas verdades bíblicas, como a de Efésios 6:7-8, que diz: “Sirvam aos seus senhores de boa vontade, como ao Senhor, e não aos homens, porque vocês sabem que o Senhor recompensará a cada um pelo bem que praticar, seja escravo, seja livre.”

“Eu ensino que a Bíblia diz que você deve tratar o público como gostaria de ser tratado. Você deve tratar como se fosse o próprio Jesus Cristo. Jesus Cristo está no balcão. Tudo o que fizermos, devemos fazer de todo o coração, como se fosse para Deus”, disse.

E destacou: “É absolutamente fantástico o resultado que você tem quando pessoas não cristãs entendem que os princípios bíblicos funcionam, independente da tradição religiosa. E no caso dos cristãos, quando você consegue mostrar para eles que seu trabalho é um campo missionário e um campo de serviço”.

“O que evangeliza é sermos cartas vivas de Cristo, o nosso comportamento. As palavras às vezes são úteis”, acrescentou.

Por fim, William lembra do chamado de Jesus a todos os cristãos, para serem “luz do mundo”.

“Imputa-se às empregadas domésticas evangélicas o crescimento do Evangelho na classe média”, exemplificou. “Temos que ser brilhantes em tudo o que fazermos, e quando virem as nossas boas obras, nós temos que dizer: não sou eu, é o Cristo que vive em mim. E isso servirá de testemunho, evangelismo, glória para Cristo e para melhorar esse mundo.”

FONTE: GUIAME, LUANA NOVAES

terça-feira, 23 de maio de 2023

UMA IGREJA REVESTIDA DE PODER

 


 

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8).

Os Evangelhos e o Livro de Atos dos Apóstolos tratam da grande comissão dada por Jesus aos seus discípulos. Está claro que antes de enviar a igreja ao mundo, Jesus enviou o Espírito Santo à igreja. Essa ordem jamais pode ser alterada. No texto em tela, há três verdades que são dignas de destaque. Vejamos:

Em primeiro lugar, a origem do poder. “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo…”. O poder que capacita a igreja não vem da terra, emana do céu; não procede dos homens, provém do Espírito Santo. A igreja não pode cumprir a grande comissão sem o poder do Espírito. Sem poder, a igreja não está apta para viver, para pregar nem para morrer. Não há cristianismo sem poder. O evangelho é o poder de Deus. O reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder. O Espírito Santo é a fonte do poder. A suprema grandeza do poder de Deus está à disposição da igreja. O mesmo poder que esteve sobre Jesus, está sobre a igreja. O mesmo poder que ressuscitou Jesus dentre os mortos, capacita a igreja para viver vitoriosamente.

Em segundo lugar, o propósito do poder. “… e sereis minhas testemunhas…”. O propósito do poder do Espírito é capacitar a igreja a testemunhar. A igreja precisa de poder e poder para que? Poder para tirar os olhos da especulação escatológica para fixá-los na obra missionária (At 1.4-8). Poder para perdoar, uma vez que a inimizade entre judeus e samaritanos só poderia ser vencida pelo poder do Espírito. Poder para levar a mensagem da salvação para fora dos limites de Israel, chegando a todas as etnias da terra. Poder para morrer. A palavra “testemunha” é a tradução do vocábulo grego martyria, de onde procede a palavra “mártir”. É o poder do Espírito Santo que capacita a igreja a enfrentar o ódio do mundo e a carranca do diabo. É o poder do Espírito Santo que deu coragem aos apóstolos para enfrentar as prisões e os açoites em Jerusalém. É o poder do Espírito Santo que revestiu de força os cristãos para suportar a amarga perseguição promovida pelos imperadores romanos. É o poder do Espírito Santo que capacitou os cristãos a enfrentarem o martírio. Milhares de cristãos foram crucificados, queimados vivos e jogados às feras sem negar a sua fé. Ninguém consegue deter os passos de uma igreja cheia do Espírito Santo. Nenhuma força na terra nem mesmo no inferno pode intimidar uma igreja revestida com o poder do Espírito Santo.

Em terceiro lugar, a extensão do poder. “… tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”. A igreja precisa de poder para sair das quatro paredes e levar o evangelho à sua cidade, ao seu Estado, à sua nação e a todas as etnias da terra. Sem poder, a igreja ficará estagnada. Sem poder, ela não levantará os olhos para ver os campos que branquejam para a ceifa. Sem poder, a igreja transformará a koinonia em koinonite, a comunhão em relacionamentos doentes. Sem poder, a igreja olhará apenas para seu próprio umbigo. Sem poder, a igreja apagará sua lâmpada e deixará de ser luz para as nações. Nunca é demais enfatizar que o campo da igreja é o mundo. Não é primeiro aqui e depois lá. É aqui e lá ao mesmo tempo. A igreja proclama o evangelho em sua cidade, anuncia as boas novas de salvação em sua região, ultrapassa barreiras raciais e culturais e avança até aos confins da terra.

Estamos nós revestidos com o poder do Espírito Santo? Somos luz para as nações? Temos experimentado esse poder do alto? Somos uma igreja martírica e missionária? A grande comissão não pode ser transformada em grande omissão. É tempo de a igreja ser revestida com o poder do Espírito Santo!

Rev. Hernandes Dias Lopes

sábado, 8 de abril de 2023

SANTIDADE

 




Textos: Êxodo 28.36; 39.30; Hebreus 12.14-16

John C. Ryle, bispo em Liverpool no século XIX, disse: “Precisamos ser santos, porque esse é um supremo fim e propósito pelo qual Cristo veio ao mundo… Jesus é um Salvador completo. Ele não retira, meramente, a culpa do pecado do que crê, ele vai além… rompe o seu poder (1 Pe 1.2; Rm 8.29)”.

A união entre paz e santificação aqui é uma advertência implícita de que não devemos buscar a paz a ponto de comprometer a santificação. O cristão busca a paz com todos, mas busca a santidade também, e esta não pode ser sacrificada por aquela.

A sã doutrina reformada da santificação será inútil, se não for acompanhada por uma vida santa. Tenho a firme impressão de que precisamos de um completo reavivamento acerca da santidade bíblica hoje. Por quê ?

1-NOS FAZ PERCEBER O PECADO (Rm 3.23) – O pecado é a transgressão da lei 1 João 3.4. Aquele que desejar ter pontos de vista corretos sobre a santidade cristã terá de começar examinando o vasto e solene assunto do pecado. Conceitos errôneos sobre a santidade geralmente advêm de ideias distorcidas quanto à corrupção humana.

A verdade absoluta é que o correto conhecimento do pecado jaz à raiz de todo o cristianismo salvífico. Sem ele, doutrinas como justificação, conversão e santificação serão apenas “palavras e nomes” que não transmitem qualquer sentido à nossa mente. John Owen escreveu, com toda a razão: “Não posso entender como um homem pode ser um crente verdadeiro, se para ele o pecado não é a maior carga, a maior tristeza e o maior motivo de perturbação”.

No entanto, a primeira coisa que Deus faz quando quer tornar alguém em uma nova criatura em Cristo é iluminar-lhe o coração, mostrando-lhe que ele é um pecador culpado. Se um homem não percebe a natureza perigosa da doença de sua alma, ninguém poderá admirar-se de que ele se contente com remédios falsos ou imperfeitos.

2- A VERDADEIRA SANTIFICAÇÃO É OPERADA PELO ESPÍRITO (Jo 17.17; I Ts 4.3) – Esse é um assunto de máxima importância para a nossa alma. Há três coisas que, de acordo com a Bíblia, são absolutamente necessárias para a salvação de todo homem e mulher na cristandade. Essas três coisas são justificação, regeneração e santificação.

A santificação é aquela operação interna que o Senhor Jesus Cristo realiza em uma pessoa pelo Espírito Santo, quando Ele a chama para ser um servo verdadeiro. O instrumento mediante o qual o Espírito efetua essa obra geralmente é a Palavra de Deus, embora algumas vezes use as aflições e as visitas providenciais “sem palavra alguma” (1 Pe 3.1).É o invariável resultado da união vital com Cristo, que a verdadeira fé confere a um crente: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto” (Jo 15.5). Aquele que tem uma esperança real e viva em Cristo purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro (Tg 2.17-20; Tt 1.1; Gl 5.6; 1 Jo 1.7; 3.3).

É absolutamente necessária para nos treinar e nos preparar para o céu. A maioria dos homens espera chegar ao céu quando morrerem; mas bem poucos, o que é de se temer, preocupam-se em considerar se conseguirão apreciar o céu, se ali chegarem. Teremos de ser santos antes de morrer, se quisermos ser santos quando estivermos na glória.

3 -A SANTIDADE IMPLICA EM VIDA PRÁTICA (Hb. 12.14) – A santificação [santidade], sem a qual ninguém verá o Senhor (Hebreus 12.14). Trata-se da santidade prática. Ele sugere um questionamento que requer a atenção de todos os cristãos professos, a saber: Somos santos? Veremos o Senhor? Esta pergunta diz respeito aos homens de todas as classes e condições.

Por qual motivo a santidade é tão importante? Permita-me expor algumas razões que explicam isso. Acima de tudo, devemos ser santos porque a voz de Deus, nas Escrituras Sagradas, assim nos ordena claramente dizendo: “Sede santos, porque eu sou santo”(I Pe 1.16). Porque essa é a grandiosa finalidade e propósito daquilo que Cristo veio fazer no mundo. Paulo escreveu: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse” (Ef 5.25,26 Porque essa é a única prova de que amamos o Senhor Jesus Cristo com sinceridade. Esse é um ponto acerca do qual Ele falou nos mais claros termos em João (Jo 14.15,21,23 e 15.14).

Além disso, a santificação é o único sinal seguro da eleição divina. O apóstolo Paulo percebeu a “fé” atuante, o “amor” operante e a “esperança” paciente dos crentes de Tessalônica, disse: “reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição” (1 Pe 1.2; 2 Ts 2.13; Rm 8.29; Ef 1.4; 1 Ts 1.3-4). Aquele que se orgulha de ser um dos escolhidos de Deus enquanto voluntária e habitualmente vive em pecado; está apenas enganando a si mesmo e proferindo ímpias blasfêmias. O catecismo da nossa igreja ensina, de forma correta e sábia, que o Espírito Santo “santifica todos os eleitos de Deus”.

Devemos ser santos na terra, se quisermos ser santos no céu. Foi Deus quem o disse e Ele não retrocederá: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Observou Jenkyn: “O calendário do papa só declara santos às pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos vivos”.

Conclusão

Portanto, você quer ser santo? Então terá de começar com Cristo. Você simplesmente não conseguirá fazer coisa alguma e nem obterá qualquer progresso, enquanto não sentir os seus pecados e fraquezas, e não fugir para Ele. A santidade é a obra que Jesus efetua nos corações dos crentes, através do Espírito que Ele lhes proporciona no íntimo. Cristo foi nomeado para ser “Príncipe e Salvador, a fim de conceder ao homem o arrependimento e a remissão de pecados”. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem em seu nome” (Jo 1.12).


Pr. Eli Vieira

A MENSAGEM DA PÁSCOA

 



A Páscoa judaica cumpriu-se em Cristo. No Cenáculo, Jesus instituiu a Ceia, monumento de sua primeira vinda e promessa de sua segunda vinda. Agora, não imolamos mais cordeiros, pois Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele é o nosso Cordeiro Pascal. Ele é o Sacerdote e o sacrifício, o ofertante e a oferta. Ele morreu pelos nossos pecados, ressuscitou para nossa justificação e voltará para a nossa glorificação. Vejamos essas três verdades magnas do cristianismo.

Em primeiro lugar, Jesus morreu pelos nossos pecados. A morte de Jesus não foi um acidente. Ele não morreu porque sucumbiu ao poder de Roma nem porque foi uma vítima indefesa das tramas do sinédrio judaico. Jesus não morreu porque Judas o traiu por ganância, ou porque o sinédrio o sentenciou por inveja, ou porque Pilatos o condenou por covardia ou porque os soldados o pregaram no madeiro por crueldade. Ele morreu porque o Pai o entregou por amor. Ele morreu porque voluntariamente se entregou pela sua igreja. Ele morreu pelos nossos pecados. Sua morte foi vicária. Ele morreu em nosso lugar, como nosso fiador e substituto. Ele carregou sobre o seu corpo, no madeiro, os nossos pecados. Deus lançou sobre ele a iniquidade de todos nós. Agradou ao Pai moê-lo na cruz. Ele foi feito pecado por nós. Sendo ele bendito eternamente, foi feito maldição. Ele bebeu, sozinho, o cálice amargo da ira de Deus que deveria cair sobre nossa cabeça. Ele sofreu o golpe da lei que deveríamos suportar. Ele cumpriu a lei por nós e satisfez todas as demandas da justiça de Deus. Na sua morte, ele triunfou sobre os principados e potestades. Ele desbaratou, na cruz, o diabo e seus demônios e rasgou o escrito de dívida que era contra nós. Ele pagou a nossa dívida. Em seu sangue somos justificados. Por sua morte, fomos reconciliados com Deus. Ele fez a paz pelo seu sangue da sua cruz. Sua morte nos libertou e pela sua morte temos livre acesso ao trono da graça.

Em segundo lugar, Jesus ressuscitou para nossa justificação. Jesus entrou nas entranhas da morte, arrancou o aguilhão da morte, matou a morte e ressurgiu vitoriosamente, inaugurando a imortalidade. A morte foi vencida. Por isso, as melhores notícias vêm a nós da tumba vazia de Jesus. Ele ressuscitou como primícias de todos os que dormem. A morte já não tem mais a última palavra. A sepultura não é o nosso último endereço. A ressurreição de Jesus é o selo de sua vitória sobre a morte. É o estandarte da nossa viva esperança. Porque ele ressuscitou, nossa fé não é vã nem nossa pregação um grito ensandecido. Porque ele ressuscitou, nossa esperança não é uma fantasia nem nosso futuro é desolador. Porque ele vive, podemos crer no amanhã. Porque ele vive, temor não há. Porque ele ressuscitou teremos, também, um corpo imortal, incorruptível, poderoso, glorioso, espiritual, celestial, semelhante ao corpo de sua glória. Porque Jesus ressuscitou podemos encarar a morte e dizê-la: “Onde está ó morte a tua vitória; onde está ó morte o teu aguilhão”. Porque Jesus ressuscitou, podemos gritar para dentro dos sepulcros: “Tragada foi a morte pela vitória”.

Em terceiro lugar, Jesus voltará para a nossa glorificação. Jesus morreu, ressuscitou, voltou ao céu, está à destra de Deus Pai e voltará pessoalmente, visivelmente, audivelmente, repentinamente, inesperadamente, inescapavelmente, gloriosamente, vitoriosamente para colocar todos os seus inimigos debaixo de seus pés. Voltará para julgar as nações. Voltará para lançar no lago do fogo o anticristo, o falso profeta, o diabo, a morte e todos aqueles cujos nomes não estão escritos no livro da vida. Voltará para arrebatar sua igreja. Voltará para conduzir sua noiva à Casa do Pai, ao paraíso, à nova Jerusalém. Voltará para reinar com sua igreja pelos séculos sem fim.
Que esta mensagem gloriosa inunde nosso coração de sincera gratidão e profunda devoção.

Rev. Hernandes Dias Lopes

quarta-feira, 29 de março de 2023

MARCAS DE UMA IGREJA RELEVANTE

 


Atos 2.1-47

O ateu e a Igreja incendiada

Havia um ateu que morava já há muito tempo ao lado de uma Igreja, passava pra lá, passava pra cá, e assim ia vivendo a sua vida.

O pastor e os membros daquela Igreja nunca se preocuparam em evangelizá-lo, e ele também nunca se preocupou em ouvir o evangelho.

Mas certo dia se iniciou um incêndio naquela Igreja, e o fogo já ia destruindo tudo, o ateu vendo a situação, pois se a ajudar a apagar o fogo, e pouco a pouco foram chegando os crentes para ajudarem a controlar o fogo.

Quando o pastor viu o ateu, ficou surpreso com a sua voluntariedade, então foi agradecê-lo e conversar com ele.

Pastor:_ Muito obrigado, por sua colaboração. Ateu: _Não foi nada, é sempre bom ajudar. Pastor:_Nossa é a primeira vez que te vejo aqui na Igreja. Ateu:_Mas também pastor, é a primeira vez que esta Igreja pega fogo.

Quantas Igrejas têm perdido a sua autenticidade e o fervor do Espírito Santo, igrejas mornas sem vida, sem graça, sem unção, que não faz a diferença, igrejas sem fé e sem obras, igrejas sem testemunho.

Atos dos Apóstolos é o primeiro livro da história da igreja cristã. Registra a caminhada da igreja de Jerusalém a Roma.

Atos desenvolve o esboço traçado por Jesus, o Senhor da Igreja, quando disse aos seus discípulos: E recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judeia, Samaria e até aos confins da terra (1.8).

Nos sete capítulos iniciais de Atos, vemos o avanço da igreja em Jerusalém e Judeia. No capítulo 8, o evangelho chega a Samaria. E a partir do capítulo 9, avança para os confins da terra.

William Barclay considera-o um dos mais importantes livros do Novo Testamento.1 Calvino o chamou de “um grande tesouro” e Martyn Loyd-Jones, de “o mais lírico dos livros”.2 O livro de Atos é a segunda parte de uma obra cujo primeiro volume é o Evangelho de Lucas.

Matthew Henry diz que as promessas feitas nos evangelhos têm seu cumprimento em Atos. A comissão dada aos apóstolos lá é executada aqui, e os poderes implantados lá são mostrados aqui em milagres feitos no corpo das pessoas: milagres de misericórdia, curando corpos doentes e ressuscitando corpos mortos.

John Stott diz que Atos é fundamental por causa de seus registros históricos e também por sua inspiração contem[1]porânea.8 Atos narra a história da igreja apostólica, desde os seus primeiros passos em Jerusalém até Roma, a cidade imperial.

Atos é um manual sobre o crescimento saudável da igreja. Vi[1]vemos num tempo de busca desenfreada pelo crescimento numérico da igreja.

O livro de Atos trata do crescimento espiritual e numérico da igreja. Para alcançar esse alvo, a igreja manteve, inseparavelmente, ortodoxia e piedade, doutrina e vida, palavra e poder. Ortodoxia sem piedade gera racionalismo estéril. Piedade sem ortodoxia produz misticismo histérico. Ao longo da história, a igreja várias vezes caiu num extremo ou noutro.

Ao estudarmos o livro de atos podemos aprender algumas lições especiais para que possamos ser uma igreja relevante nesta atualidade desafiadora. Uma igreja relevante é:

1-UMA IGREJA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO (Atos 2.1-13)

Lucas é o evangelista que mais enfatiza a obra do Espírito Santo na vida de Jesus e da igreja. O mesmo Espírito que desceu sobre Jesus no Jordão, guiou-o no deserto e revestiu-o com poder para salvar, libertar e curar (Lc 3.21,22; 4.1,14,18) agora vem sobre os discípulos de Jesus (At 1.5,8; 2.33). Nos capítulos iniciais de Atos, Lucas refere- -se à promessa, à dádiva, ao batismo, ao poder e à plenitude do Espírito na experiência do povo de Deus.

O pastor Hernandes diz: “O Pentecostes não foi um acontecimento casual, mas uma agenda estabelecida por Deus desde a eternidade. Como o Calvário, o Pentecostes foi um acontecimento único e irrepetível”. O espírito foi enviado a igreja do Senhor para estar com ela independente das circunstâncias.

Em atos 2 podemos ver a descida do Espírito santo (At. 2.1-4), “Cristo subiu, e o Espírito Santo desceu. O Cristo ressurreto ascendeu aos céus e enviou o Espírito a fim de habitar para sempre com a igreja”.

Ao cumprir-se o dia de Pentecostes… A palavra pentecoste significa o quinquagésimo dia. Pentecostes era a festa que acontecia cinquenta dias após o sábado da semana da Páscoa (Lv 23.15,16), portanto era o primeiro dia da semana. E também chamado de Festa das Semanas (Dt 16.10), Festa da Colheita (Êx 23.16) e Festa das Primícias (Nm 28.26). Cristo ressuscitou como as primícias dos que dormem e durante quarenta dias deu provas incontestáveis de sua ressurreição com várias aparições a seus discípulos. Estavam reunidos a espera do Pentecostes (2.1b). … estavam todos reunidos no mesmo lugar. Os 120 discípulos estavam congregados no cenáculo em unânime e perseverante oração, quando, de repente, o Espírito Santo foi derramado sobre eles.

O derramamento do Espírito Santo foi um fenômeno celestial. Não foi algo produzido, ensaiado, fabricado. Aconteceu algo verdadeiramente do céu. Foi incontestável e irresistível. Foi soberano, ninguém pôde produzi-lo. Foi eficaz, ninguém pôde desfazer os seus resultados. Foi definitivo, ele veio para ficar para sempre com a igreja.

O pastor Hernandes destaca três fatos: Três fatos nos chamam a atenção. Primeiro, o derramamento do Espírito veio como um som (2.2). Não foi barulho, algazarra, falta de ordem, histeria, mas um som do céu. A palavra grega echos, usada aqui, é a mesma usada em Lucas 21.25 para descrever o estrondo do mar.72 O derramamento do Espírito foi um acontecimento audível, verificável, público, reverberando sua influência na sociedade. Esse impacto atraiu grande multidão para ouvir a Palavra.

Segundo, o derramamento do Espírito veio como um vento (2.2). O vento é símbolo do Espírito Santo (Ez 37.9,14; Jo 3.8). O Espírito veio em forma de vento para mostrar sua soberania, liberdade e inescrutabilidade. Assim como o vento é livre, o Espírito sopra onde quer, da forma que quer, em quem quer. O Espírito sopra onde jamais sopraríamos e deixa de soprar onde gostaríamos que ele soprasse. Como o vento, o Espírito é soberano; ele sopra irresistivelmente. O chamado de Deus é irresistível, e sua graça é eficaz. O Espírito sopra no templo, na rua, no hospital, no campo, na cidade, nos ermos da terra e nos antros do peca[1]do. Quando ele sopra, ninguém pode detê-lo.

Terceiro, o derramamento do Espírito veio em línguas como de fogo (2.3). O fogo também é símbolo do Espírito Santo. Deus se manifestou a Moisés na sarça em que o fogo ardia e não se consumia (Ex 3.2). Quando Salomão consagrou o templo ao Senhor, desceu fogo do céu (2Cr 7.1). No Carmelo, Elias orou, e fogo desceu (lR s 18.38,39). Deus é fogo. Sua Palavra é fogo. Ele faz dos seus ministros labaredas de fogo. Jesus batiza com fogo, e o Espírito desceu em línguas como de fogo. O fogo ilumina, purifica, aquece e alastra. Jesus veio para lançar fogo sobre a terra.

Certa feita alguém perguntou a Dwight Moody: “Como podemos experimentar um reavivamento na igreja?”. O grande avivalista respondeu: “Acenda uma fogueira no púlpito”. Quando gravetos secos pegam fogo, até lenha verde começa a arder. John Wesley disse: “Ponha fogo no seu sermão, ou ponha o seu sermão no fogo”.

Quarto, o derramamento do Espírito traz uma experiência pessoal de enchimento do Espírito Santo (2.4). Aqueles discípulos já eram salvos. Por três vezes Jesus havia deixado isso claro (Jo 13.10; 15.3; 17.12). De acordo com a teologia de Paulo, se eles já eram já salvos, já tinham o Espírito Santo, pois o apóstolo escreveu: […] Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele (Rm 8.9). Jesus disse: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino (Jo 3.5).

A experiência da plenitude é pessoal (At 2.3,4). O Espírito desce sobre cada um individualmente. Cada um vive sua própria experiência. Ninguém precisa pedir, como as virgens néscias, azeite emprestado. Todos ficaram cheios do Espírito.

O fenômeno das línguas (2.4-13) O derramamento do Espírito Santo produziu o fenômeno das línguas. O Pentecostes foi o oposto de Babel. Em Babel as línguas eram ininteligíveis; no Pentecostes, não houve necessidade de interpretação. Em Babel houve dispersão; no Pentecostes, ajuntamento. Babel foi resultado de rebeldia contra Deus; Pentecostes, fruto da oração perseverante a Deus. Em Babel os homens enalteciam seu próprio nome; no Pentecostes, falavam sobre as grandezas de Deus.

A glossolalia de Atos 2 foi um fenômeno tanto de fala como de audição. Não foram sons incoerentes, mas uma habilidade sobrenatural para falar em línguas reconhecíveis. Assim, a expressão outras línguas poderia ser traduzida por “línguas diferentes da sua língua materna”. Os discípulos falaram línguas que ainda não haviam aprendido.

Três foram as reações da multidão com respeito ao milagre do Pentecostes:

1. Preconceito (2.7). Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? Os galileus eram recebidos em Jerusalém com grande preconceito. Eram pessoas de segunda classe. Os sulistas da Judeia consideravam gentios os nortistas da Galileia . A primeira reação ao Pentecostes foi de profundo preconceito.

2. Ceticismo (2.12). Todos, atônitos e perplexos, interpelavam uns aos outros: Que quer isto dizer? O milagre do derramamento do Espírito clareou a mente dos discípulos e turvou a mente dos céticos.

3. Zombaria (2.13). Outros, porém, zombando, diziam: Estão embriagados! Um grupo dentre a multidão rotulou o fenômeno das línguas como resultado de embriaguez. Confundiram a plenitude do Espírito como o enchimento de vinho.

2- PREGA O PODEROSO EVANGELHO DA GRAÇA (2.14-41)

O milagre pode atrair a multidão, mas não toca os corações. O milagre abre portas para o evangelho, mas não é o evangelho. Pedro se levantou para pregar uma mensagem eminentemente bíblica. A primeira coisa que Pedro fez foi esclarecer que aquele fenômeno extraordinário não era resultado da embriaguez, mas do cumprimento da profecia de Joel (2.28-32).

O evangelho é um só. Proclama a salvação pela graça mediante a fé, independentemente das obras. A salvação não é resultado da obra que fazemos para Deus, mas da obra que Deus fez por nós em Cristo Jesus, seu amado Filho.

Os tempos mudaram, mas Deus não mudou. As circunstâncias são outras, mas o evangelho é o mesmo. A forma de pregar pode ser repaginada, mas o conteúdo da pregação permanece inalterável. Não pregamos um Cristo que esteve vivo e agora está morto, mas o Cristo que esteve morto e agora está vivo. Pregamos o Cristo que padeceu por nossos pecados, mas triunfou sobre a morte e desbancou os principados e potestades na cruz. Pregamos o Cristo que ressuscitou e está assentado no trono; governa a igreja e tem as rédeas da história em suas mãos. Pregamos o Cristo que voltará em glória para colocar todos os seus inimigos debaixo de seus pés e reinar para sempre com sua igreja¹.

Certa feita, David Hume, o patrono dos agnósticos, foi visto correndo pelas ruas de Londres. Alguém o abordou: “Para onde você vai, com tanta pressa?”. O filósofo respondeu: “Vou ver George Whitefield pregar”. O questionador lhe perguntou, espantado: “Mas você não acredita no que ele prega, acredita?”. Hume respondeu: “Eu não acredito, mas ele acredita!”. Um crente cheio do Espírito prega a Palavra com poder e autoridade.

O padrão e os temas da mensagem pregada por Pedro tornaram-se comuns na igreja primitiva: a) a explanação dos eventos (2.14-21); b) o evangelho de Jesus Cristo — sua morte, ressurreição e exaltação (2.22-36); c) uma exortação para o arrependimento e batismo (2.37-40).

Em primeiro lugar, uma pregação cristocêntrica na sua essência. A mensagem de Pedro versou sobre a pessoa de Cristo e sua obra.

Uma igreja cheia do Espírito santo prega somente Jesus, a maior necessidade do homem hoje e sempre, pois sem Jesus, não há esperança, não há vida, muito menos salvação. Assim como Pedro pregou sobre: 1. A vida de Cristo (2.22). 2. A morte de Cristo (2.23). 3. A ressurreição de Cristo (2.24-32). 4. A exaltação de Cristo (2.33-35). 5. O senhorio de Cristo (2.36). Jesus é o Senhor do universo, da história e da igreja.

A pregação de Pedro explodiu como dinamite no coração da multidão. Produziu uma compulsão na alma. Foi um sermão penetrante. Uma pregação clara em suas exigências (2.38). Antes de falar sobre perdão, Pedro falou sobre culpa. Antes de falar sobre cura, ele revelou à multidão a sua doença. Antes de falar sobre redenção, falou sobre pecado. Antes de falar sobre salvação, mostrou que eles estavam perdidos em seus pecados. Antes de pregar o evangelho, mostrou-lhes a lei. Não há salvação sem arrependimento. Ninguém entra no céu sem antes saber que é um pecador.

Vemos hoje uma mudança desastrosa na pregação. Tem-se pregado muito sobre libertação e quase nada sobre arrependimento. Uma pregação vitoriosa quanto aos resultados (2.41). Quando há poder na pregação, vidas são salvas. A pregação de Pedro não apenas produziu conversões abundantes, mas também frutos permanentes.

Ao concluir essa exposição sobre o sermão de Pedro, John Stott destaca que Pedro enfocou a pessoa de Cristo.

3- VIVE DE FORMA DIFERENTE (2.42-47)

A VIDA DA IGREJA CHEIA DO ESPÍRITO SANTO (2.42-47) é diferente. A igreja de Jerusalém conjugava doutrina e vida, credo e conduta, palavra e poder, qualidade e quantidade. Hoje vemos igrejas que revelam grandes desequilíbrios. As igrejas que zelam pela doutrina não celebram com entusiasmo. As igrejas ativas na ação social desprezam a oração.

Quais são as marcas de uma igreja cheia do Espírito Santo?

Em primeiro lugar, uma igreja cheia do Espírito é comprometida com a fidelidade à Palavra de Deus (2.42). Ao longo da história houve muitos desvios da verdade: às heresias da Idade Média; a ortodoxia sem piedade; o Pietismo — piedade sem ortodoxia; os quacres — o importante é a luz interior; o movimento liberal — a razão acima da revelação.

Em segundo lugar, uma igreja cheia do Espírito é perseverante na oração (2.42). Uma igreja cheia do Espírito ora com fervor e constância. A igreja de Jerusalém não apenas possuia uma boa teologia da oração, mas efetivamente orava. Ela dependia mais de Deus do que dos próprios recursos:

Em terceiro lugar, uma igreja cheia do Espírito tem uma profunda comunhão (2.42,44-46). Em uma igreja cheia do Espírito os irmãos se amam profundamente. Na igreja de Jerusalém os irmãos gostavam de estar juntos (2.44). Eles partilhavam seus bens (2.45). Eles apreciavam estar no templo (2.46) e também nos lares (2.46b). Havia um só coração e uma só alma.

Em quarto lugar, uma igreja cheia do Espírito adora a Deus com entusiasmo (2.47). Uma igreja cheia do Espírito canta com fervor e louva a Deus com entusiasmo. O culto era um deleite. Eles amavam a casa de Deus. Uma igreja viva tem alegria de estar na casa de Deus para adorar. A comunhão no templo é uma das marcas da igreja ao longo dos séculos. O louvor da igreja era constante. Uma igreja alegre canta.

Em quinto lugar, uma igreja cheia do Espírito teme a Deus e experimenta os seus milagres (2.43). Uma igreja cheia do Espírito é formada por um povo cheio de reverência. Ela tem compreensão da santidade de Deus. Ela se curva diante da majestade de Deus. Hoje as pessoas estão acostumadas com o sagrado. Há uma banalização do sagrado. Há saturação, comercialização e paganização das coisas de Deus.

Em sexto lugar, uma igreja cheia do Espírito tem a simpatia dos homens e a bênção do crescimento numérico por parte de Deus (2.47). Essa igreja é simpática e amável. Ela é sal e luz. E boca de Deus e monumento da graça. Essa igreja tem qualidade e também quantidade. Cresce para o alto e também para os lados. Mostra vida e também números. A igreja crescia diariamente por adição de vidas salvas e por ação divina. Vejamos o cresci[1]mento da igreja: • Atos 1.15: 120 membros; • Atos 2.41: três 3 mil membros. • Atos 4.4: cinco 5 mil membros. • Atos 5.14: Uma multidão é agregada à igreja. • Atos 6.7: O número dos discípulos é multiplicado. • Atos 9.31: A igreja se expande para a Judeia, Galileia e Samaria. • Atos 16.5: Igrejas são estabelecidas e fortalecidas

Conclusão

Portanto, como podemos ver o livro de "Atos é um livro para ser estudado não como uma história remota e distante, mas como um desafio presente", pois se queremos ser uma igreja relevante nesta atualidade, precisamos ser cheios do Espírito Santo para sair das quatro paredes, e proclamarr somente Jesus, qe é o verdadeiro evangelho e firmados nele nós não iremos apenas pregar, mas viver o que pregamos e assim veremos o reino de Deus crescendo e a Palavra prevalecendo, para honra e glória de Deus.


Pr. Eli Vieira

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