quarta-feira, 31 de agosto de 2022

QUEM É ESCOLHIDO, NÃO TEM ESCOLHA

 


1 Pedro 2.1-10

UM MESTRE RARO

Um conto:
“Em uma cidade remota, vivia um homem de raros dons. Era um famoso escultor e praticava também as artes marciais. É preciso mencionar que tanto em uma como outra era um verdadeiro mestre.

Lamentavelmente vários de seus amigos não o entendiam. Alguns criam que para ser escultor era necessário um caráter doce e manso. O resto pensava que um praticante de caratê devia ser um homem duro, violento e de quem todos tivessem medo.

Convidou, então, a todos os seus amigos. Queria que observassem suas habilidades.

Antes que os amigos chegassem à reunião, o homem tomou uma massa de barro e a dividiu em duas partes. Com o primeiro pedaço moldou uma formosa escultura. Tratava-se de um conjunto de pessoas, animais e flores num grande bosque. Pintou a obra de arte e a endureceu no forno. Com o outro pedaço de barro construiu um bloco sem forma e também o cozeu.

Os amigos chegaram no dia marcado e ele decidiu retirar primeiro a escultura.

– Que sensível e doce és! Tua obra é mui fina! Exclamaram maravilhados os presentes.

Respondeu o mestre:

_ Obrigado pelo elogio! Porém, na realidade não somente me dedico à escultura.
A resposta do artista deixou muitos de seus amigos perplexos. Dirigiu-se a seu ateliê e trouxe até o lugar onde as pessoas estavam reunidas, o grande pedaço de barro cozido.

_ Existem outras artes que não requerem sensibilidade, disse com voz grave.

Depois de alguns segundos, lançou um grito e com sua mão estendida rompeu de um só golpe todo o bloco solidificado.

Aqueles que assistiram, se deram conta do que o mestre lhes comunicava. A verdade é que ele era sensível e doce, porém, também era forte. Era melhor ser seu amigo.

Deus é como este artista. Alguns o vêem como um pai amoroso que não faria dano a ninguém; outros o percebem como um Deus que estabelece justiça, castigo e repreende. No entanto, nenhum dos grupos pensa corretamente. O apóstolo Paulo tinha a ideia correta de Deus: “considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus” (Rm 11.22). No conto mencionado, o barro moldado representa os eleitos e o bloco sem forma os reprovados.

Se bem que a misericórdia de Deus não poderia manifestar-se sem a existência de pecadores, tão pouco o justo juízo de Deus poderia igualmente se evidenciar sem a existência de condenados. Devemos amar e temer a nosso Deus a misericórdia e a justiça divinas se completam; não se contradizem e dependem uma da outra. São como os dois lados de uma mesma moeda; a moeda se chama “predestinação” e os dois lados, “eleição” e “reprovação”.

A nossa eleição é um ato da livre graça de Deus para vivermos em Cristo para a glória do Pai. Deus na sua infinita graça não deixou todos perecerem no estado de pecado e miséria.

O apóstolo Pedro , após falar sobre o estilo de vida dos salvos, passa a tratar do crescimento espiritual dos que  foram escolhidos por Deus. Por meio da conjunção portanto, o trecho se conecta ao anterior.

A salvação será consumada na segunda vinda de Cristo. Nós, que já entramos no reino da graça, aguardarmos com vívida esperança o triunfo do nosso Salvador, quando ele colocará todos os inimigos debaixo dos seus pés e nos levará para seu reino de glória.

     Esse povo escolhido  precisa desenvolver a salvação. Pedro elenca no texto os passos necessários para  vivermos como povo escolhido de Deus. Os escolhidos por Deus foram:

  1. CHAMADOS PARA SER DIFERENTES DO MUNDO (1 Pe 2.1)

Como povo escolhido por Deus precisamos viver de forma diferente, por isso precisamos abandonar o pecado para que assim possamos crescer espiritualmente. O crescimento espiritual vem por meio da ruptura com práticas de pecaminosas que marcaram nossa vida antes de nosso encontro com Cristo. Vivíamos uma vida vazia e fútil. Éramos escravos de nossas paixões.

Andávamos num caminho de escuridão. Agora somos novas criaturas em Cristo e fomos gerados pela Palavra; não podemos mais continuar andando na prática dos mesmos pecados. Precisamos arrancar da nossa vida esses pecados como se fossem trapos imundos. Todos os cinco pecados alistados apresentam uma relação horizontal, ou seja, têm que ver com nossos relacionamentos interpessoais. Que pecados são esses dos quais precisamos despojar-nos?

Poderíamos afirmar que maldade é a atitude intencional de fazer o mal contra o próximo, e dolo é a intenção de fazer o mal, ocultando isso nas palavras e nos gestos.

A maldade e o dolo não são compatíveis com a vida que temos em Cristo. Esses pecados são como roupas contaminadas e sujas que precisamos remover de nossa vida.

Hipocrisia é fingimento, ou seja, é colocar uma máscara e vestir um capuz para ocultar a verdadeira identidade. E fazer da vida um palco para representar um papel, buscando aplausos. O hipócrita finge.

A palavra grega fthonos, traduzida por “invejas”, descreve o sentimento mesquinho de querer ocupar o lugar do outro. Até no grupo dos apóstolos a inveja subiu a cabeça. Quando Tiago e João levaram seu pedido a Jesus para ocuparem lugar de proeminência no seu reino, os demais ficaram tomados de inveja (Mc 10.41).

A inveja se expressa no desejo de possuir algo que pertence a outro. Uma pessoa invejosa é dominada por uma incurável ingratidão.

Maledicência traz a ideia de um falatório maldoso a respeito da vida alheia. E fazer da língua uma espada afiada para ferir, um fogo mortífero para destruir e um veneno letal para matar. Maledicência não é apenas sentir e desejar o mal contra o próximo, mas afligi-lo e atormentá-lo com o azorrague da língua. Precisamos nos livrar de todo mal, como nos livramos de uma roupa suja e contaminada.

Como filhos obedientes, não podemos retroceder nem cair nas mesmas práticas indecentes que marcavam nossa conduta quando vivíamos prisioneiros do pecado. Naquele tempo, os desejos e as paixões constituíam o esquema determinante da nossa vida e a nossa norma de conduta. É incoerente, incompatível e inconcebível um salvo amoldar-se às paixões de sua velha vida. O salvo é nova criatura. Tem uma nova mente, um novo coração, uma nova vida.

A vida no pecado é marcada pela ignorância. Mesmo aqueles que vivem untados pelo refinado conhecimento filosófico ainda estão imersos num caudal de ignorância (At 17.30).

A nova vida em Cristo, transformando a pessoa por dentro, deve traduzir- -se em novas expressões concretas de vida.

Todo o nosso procedimento deve resplandecer o caráter de Deus, a santidade daquele que nos chamou do pecado para a salvação.

Pedro citou Levítico 11.44 para sustentar seu argumento: “Sereis santos, porque eu sou santo”.

Fomos resgatados do fútil procedimento que nossos pais nos legaram. Éramos não apenas escravos, mas levávamos uma vida vazia, improdutiva e sem propósito, num estilo de vida que passava de geração a geração.

Refletindo sobre essa condição humana antes da redenção, Mueller escreve: O homem, afastando-se de Deus, chegou a se tornar escravizado pelo pecado e pelas forças do mal, não tendo capacidade em si próprio para resistir a essa dominação interna e externa. Isso é o que, basicamente, desencadeia todo o processo de injustiça, de dominação e opressão que caracteriza a sociedade.

2- ESCOLHIDOS PARA CRESCER ESPIRITUALMENTE (2.2-8)

Para crescermos espiritualmente Pedro nos apresenta duas coisas indispensáveis a Palavra e o exemplo de Jesus.

Pedro passa daquilo que devemos nos despojar para o que devemos desejar. O crescimento espiritual decorre do que evitamos e também advém por meio daquilo com que nos alimentamos. Ênio Mueller diz que a ação deve seguir em duas direções: despojar-se do antigo e alimentar-se do novo.128 O alimento é vital para o crescimento saudável.

Pedro compara o cristão a um recém-nascido. Assim como um bebê anseia pelo leite materno, o cristão deve desejar ardentemente o genuíno leite espiritual. A palavra grega epippothein significa um desejo intenso, como o da corça que anseia pelas correntes das águas.

A expressão grega gala logikos, traduzida por “leite espiritual”, tem um rico significado. Logikos é o adjetivo correspondente ao substantivo logos.

Pedro acabara de falar sobre Palavra de Deus que vive e permanece para sempre (1.23-25). Por isso, é a Palavra de Deus que Pedro tem em mente aqui ao mencionar o genuíno “leite espiritual”.

A Palavra de Deus é pura. Não há crescimento espiritual onde a Palavra de Deus é sonegada ao povo. Não há saúde espiritual onde a sã doutrina não está no cardápio diário do povo. Alimentar o povo com a palha das falsas doutrinas em vez de nutri-lo com o trigo da verdade é como dar leite contaminado a um recém-nascido. Mata mais rápido que a fome. A Palavra de Deus tem a vida, dá a vida e sustenta a vida. E preciso ansiar pela Palavra de Deus como recém-nascidos famintos.

Em segundo lugar, o propósito. … para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação (2.2b). A Palavra de Deus nos torna sábios para a salvação (2Tm 3.15) e nos dá crescimento para salvação. Nascemos da Palavra e crescemos pela Palavra.

Em terceiro lugar, a constatação. Se é que já tendes a experiência de que o Senhor é bondoso (2.3). Nossa salvação e nosso crescimento espiritual são resultado da bondade de Deus. Ele não apenas nos deu vida, mas cuida de nós, providenciando todas as coisas necessárias para nosso crescimento e amadurecimento na fé. A verdade insofismável da bondade de Deus perpassa todas as Escrituras, e sua prova máxima é Jesus Cristo sendo entregue à morte de cruz pelos nossos pecados.

Warren Wiersbe quando diz que a Palavra revela a mente de Deus, de modo que devemos aprendê-la; revela o coração de Deus, de modo que devemos amá-la; e revela a vontade de Deus, de modo que devemos obedecê- -la. O ser como um todo – a mente, o coração e a volição — precisa ser controlado pela Palavra de Deus.

A posição de Cristo é fundamental (2.4) – Pedro passa da metáfora do leite para a metáfora da pedra. Faz uma transição de quem somos para o que Cristo é. Somos como recém-nascidos que precisam de leite para crescer, mas Cristo é a pedra fundamental sobre a qual a igreja é edificada. O segredo do crescimento é nossa comunhão com Cristo. Precisamos aproximar-nos dele.

De Cristo emana todo o poder para uma vida nova. Kistemaker destaca que o ato de aproximar-nos de Jesus é um ato de fé que acontece não apenas uma vez, mas continuamente.

Agora podemos aproximar-nos dele. O próprio Jesus convida para si todos os cansados e sobrecarregados (Mt 11.28).

Em primeiro lugar, Cristo é a pedra viva. Chegando-vos para ele, a pedra que vive… (2.4a). A expressão “a pedra que vive” parece um paradoxo: uma pedra não tem vida. Nas Escrituras, porém, o termo pedra algumas vezes tem significado figurativo (SI 118.22; Is 8.14; 28.16; M t 21.42; Mc 12.10,11; Lc 20.17; At 4.11; Rm 9.33). O próprio Pedro usou essa imagem quando se dirigiu ao Sinédrio e retratou Jesus Cristo como pedra rejeitada por vós, os construtores, a qual se tornou pedra angular (At 4.11).137 Jesus não é apenas a pedra que vive, mas é também aquele que dá a vida. Holmer aponta corretamente que Cristo é a pedra viva no sentido de que ele é a vida e ao mesmo tempo vivifica.

Não há vida nem crescimento espiritual à parte de Cristo. Nele somos salvos e nele crescemos. Cristo é a fonte da vida.Cristo foi o eleito de Deus para nos redimir dos nossos pecados e nos fazer sacerdotes para Deus.

A nossa posição em Cristo é orgânica (2.5-8) Pedro faz uma transição de quem Cristo é para quem nós somos nele. Vejamos a descrição que o apóstolo faz da igreja.

Cada pessoa que se converte a Cristo e se torna membro da igreja do Deus vivo é uma pedra viva tirada da pedreira da incredulidade e acrescentada ao edifício da igreja.

Deus está chamando aqueles que foram comprados com o sangue do Cordeiro e que procedem de toda tribo, raça, língua e nação, para formarem um povo exclusivamente seu, zeloso, de boas obras.

Em segundo lugar, nós somos casa espiritual. … sois edificados casa espiritual… (2.5b). Somos não apenas pedras vivas, mas também casa espiritual, morada de Deus. Somos templo do Espírito, o Santo dos Santos onde a glória de Deus se manifesta.

Em terceiro lugar, nós somos sacerdócio santo. … para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo (2.5c). Além de pedras vivas e santuário da habitação de Deus, somos sacerdotes santos que oferecem a Deus sacrifícios espirituais.

Calvino expressa essa verdade com exultação: “E uma honra singular o fato de que Deus não apenas nos consagrou como templos para ele, nos quais ele habita e é adorado, mas também nos fez sacerdotes”.

Agora, somos constituídos sacerdotes e temos livre acesso à presença de Deus. Cristo é a ponte que nos reconciliou com Deus e, agora, como sacerdotes, temos livre acesso a Deus.

Não precisamos mais levar ao altar o sangue de animais, pois o Cordeiro imaculado de Deus foi imolado e ofereceu um único, perfeito e irrepetível sacrifício (Hb 9.28). Agora, levamos a Deus sacrifícios espirituais. O que isso significa? Devemos oferecer a ele nosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável (Rm 12.1); o louvor dos nossos lábios (Hb 13.15); as boas obras que realizamos em favor dos outros (Hb 13.16). O dinheiro e outros bens materiais que compartilhamos com outros no serviço de Deus também são sacrifícios espirituais (Fp 4.18). Até mesmo as pessoas que ganhamos para Cristo são sacrifícios para a glória do Senhor (Rm 15.16).

Pedro ressalta ainda que todos esses sacrifícios espirituais precisam ser oferecidos a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Somos aceitos nele e tudo o que fazemos para Deus precisa ser em seu nome e por seu intermédio. Nosso culto só é agradável a Deus quando relacionado com Cristo e por ele mediado (Hb 4.14-16; 5.1-10; 7.20-28; ljo 2.1).

  • PARA SER O POVO ESPECIAL DE DEUS (2.9,10)

Em contraste com os descrentes que rejeitaram a Cristo e nele tropeçaram, aqueles que foram escolhidos agora são o povo de Deus. Somos identificados por Pedro como um povo escolhido por Deus para a salvação e também para uma missão especial no mundo. Por isso nesse momento eu lhe convido a olhar para:

a)A NOSSA IDENTIDADE ESPIRITUAL É CLARA (2.9A) -Assim como Deus escolheu Israel dentre as nações para ser seu povo exclusivo, ele escolheu pessoas de todas as nações para formar sua igreja. Somos uma raça escolhida por Deus dentre todos os povos da terra para ser: sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus.

O Senhor não escolheu Israel porque era um grande povo, mas porque o amava (Dt 7.7,8). Assim também, Deus nos escolheu com base em seu amor e em sua graça. Jesus foi categórico: Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros (Jo 15.16).

Warren Wiersbe observa corretamente que, no tempo do Antigo Testamento, o povo de Deus possuía um sacerdócio, mas agora é um sacerdócio. Todo cristão tem o privilégio de entrar na presença de Deus (Hb 10.19-25).

A grandeza do cristão está no fato de pertencer a Deus. Porque somos propriedade exclusiva de Deus, temos valor infinito.

b) A NOSSA MISSÃO – A NOSSA MISSÃO NO MUNDO É SUBLIME (2.9B,10) – Depois de descrever os privilégios e atributos da igreja, Pedro fala sobre a missão da igreja. Fomos salvos pela graça para uma sublime missão. Fomos chamados do mundo para proclamarmos ao mundo uma mensagem imperativa, intransferível e impostergável. Destacamos aqui dois pontos importantes.

Em primeiro lugar, o conteúdo da mensagem. …a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (2.9). A palavra grega aretes, “virtudes”, era um termo amplamente difundido na época e muito importante na concepção ética e religiosa do helenismo.

Estão em vista as grandes obras de Deus na história do seu povo. Esses feitos maravilhosos de Deus tratam da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo como a transformação libertadora do homem e do seu mundo.

Também estão em foco aqui as virtudes de Deus, como poder, glória, sabedoria, graça, misericórdia, amor e santidade. Por meio de sua conduta, os cristãos devem testemunhar que são filhos da luz, e não das trevas (lTs 5.4).

Em segundo lugar, a motivação para a mensagem. Vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia (2.10). Pedro faz aqui um forte contraste entre o passado dos cristãos e o seu presente. O que Deus fez por nós deve ser uma forte motivação para cumprirmos com zelo, fidelidade e urgência a missão que nos confiou. Não éramos povo, mas agora somos seu povo.

 Concluo com as palavras de Holmer: “Quem experimentou a intervenção resgatadora de Deus em sua vida não pode silenciar a esse respeito, uma vez que sabe que foi arrancado do âmbito de poder das trevas e transferido para o senhorio libertador do Ressuscitado. Trevas significa distância de Deus, designa o que é diabolicamente mau. O ser humano distante de Deus vive nas trevas e realiza obras das trevas. Deus, porém, chama para fora das trevas – para dentro de sua maravilhosa luz” para um viver diferente em Cristo Jesus.

Pr. Eli Vieira

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

VENCENDO OS PROBLEMAS DA VIDA

 



Gênesis 26.1-25

            Na jornada da vida todos nós em algum momento passamos por problemas, a grande diferença está como nós enfrentamos as dificuldades da vida. Os problemas são uma realidade. Talvez você esteja atravessando um período assim, seja financeiro, familiar ou mesmo na área dos seus sentimentos. Como você tem reagido diante desses problemas?

A experiência de Isaque nos ensina como devemos enfrentar os problemas da vida. A crise foi um tempo de oportunidade na vida de Isaque. Em vez de se desesperar, ele seguiu a direção de Deus e triunfou num tempo em que todos estavam fracassando.

Estou certo de que os princípios que encontramos neste capítulo poderão lançar luz em seu coração e colocar os seus pés na estrada que o conduzirá à verdadeira prosperidade e vitória.

Aqui estão os princípios para que possamos enfrentar e vencer os problemas da vida.

1- CRER E SEGUIR A ORIENTAÇÃO DE DEUS

Isaque também estava enfrentando um problema sério não era um problema pequeno. A fome assola a sua terra. Seu país vive o drama do empobrecimento coletivo. A esperança do povo está morta.

Ele ficou atento a voz de Deus. Devemos estar com os ouvidos atentos nos tempos de crise. É justamente nesses períodos que temos as maiores experiências com Deus. Quando todas as soluções da terra entram em colapso, o céu aponta o rumo a seguir. O trono de Deus não enfrenta crise. Os propósitos de Deus não podem ser frustrados. As catástrofes da história não desestabilizam o governo de Deus. As tragédias humanas não fazem sucumbir os planos divinos.

Os problemas que vivemos são instrumentos pedagógicos para nos aperfeiçoar em santidade, e não fatos acionados pela mão do acaso, para nos destruir. Aquilo que nos ameaça está rigorosamente sob o controle soberano de Deus. Ele muitas vezes nos permitir passar por crises não para nos destruir, mas para nos colocar mais perto de Cristo. A mesma crise que levanta uns, abate outros.

2- NOS VOLTAR PARA AS PROMESSAS DA PALAVRA DE DEUS

Deus diz a Isaque: " Permaneça nesta terra e eu estarei com você" (Gn 26.3). Quando o problema bate à porta da nossa vida, a primeira coisa que perdemos é a consciência da presença de Deus. Quando somos encurralados por circunstâncias adversas, tendemos a achar que Deus nos desamparou. Por isso, a primeira palavra de encorajamento que Deus dá a Isaque é a garantia da sua presença com ele.

O segredo da vitória na crise é peregrinar na terra em obediência a Deus. Andar sob a direção do céu é caminhar seguro. Estar no centro da vontade de Deus é triunfar nas horas de incertezas. Quando temos consciência da presença de Deus conosco, passamos pelas águas, pelos rios e até pelo fogo sem nos intimidar. O que dava confiança para Davi passar pelo vale da sombra da morte era a presença de Deus. Quando vivemos em obediência, mesmo na fornalha ardente das provações mais amargas contamos com a presença do Senhor caminhando conosco.

Andar com Deus é o maior investimento que podemos fazer na vida. Não há projeção para o futuro mais compensadora do que ser fiel a Deus hoje. Não há herança mais bendita a deixar para os filhos do que andar com Deus.

3- OBEDECER A DEUS SEM RACIONALIZAÇÕES

Isaque também é convocado a obedecer a Deus no fragor daquele problema. O Senhor então com o seu servo: "Não desça ao Egito" (Gn 26.2). Não fuja do problema.

Isaque não discute, não questiona, não racionaliza, não duvida. Ele obedece prontamente, pacientemente (Gn 26.6). Deus o manda ficar, ele fica. Deus dá uma ordem, ele obedece. A obediência imediata abriu-lhe a porta da esperança. Ele prosperou naquela terra. Ali ele viu milagres extraordinários acontecendo. A crise é um tempo de oportunidade. As grandes lições da vida são aprendidas no vale. “O deserto é o cemitério dos covardes e incrédulos, mas também campo de semeadura e treinamento para os que confiam nas promessas de Deus” (HDL).

O nosso triunfo é resultado da nossa confiança em Deus. É Deus quem transforma desertos em pomares e fracassos em vitórias. É ele quem faz dos nossos vales verdadeiros mananciais. O caminho da obediência é a estrada da bênção.

 4- CONFIAR QUE DEUS PODE FAZER UM MILAGRE

Isaque colheu a cento por um no deserto em tempo de seca (Gn 26.12). "O homem enriqueceu, e a sua riqueza continuou a aumentar, até que ficou riquíssimo" (Gn 26.13). Tornou-se próspero empresário rural (Gn 26.14). A razão: "Porque Senhor o abençoou" (Gn 26.12b). "A bênção do Senhor traz riqueza, e não inclui dor alguma" (Pv 10.22).

A colheita farta é bênção de Deus. O homem planta e rega, mas só Deus pode dar o crescimento. O homem trabalha, mas só Deus pode fazê-lo prosperar. O homem investe, mas só Deus pode recompensar o seu labor. Deus não abençoa a indolência. O preguiçoso está fadado à miséria. O trabalho árduo, sério e honesto é o caminho da prosperidade. Devemos despender todo o nosso esforço e esperar com todas as forças da nossa alma em Deus. Sem semeadura não há colheita. Sem investimento não há retorno. Sem fé o milagre é retido.

Isaque colheu com fartura em tempo de fome. Ele prosperou no deserto e experimentou os milagres de Deus na crise. Mas Isaque não ficou rico de braços cruzados. Ele suou a camisa. Ele botou a mão na massa. Ele cavou poços. Plantou, investiu e trabalhou. Foi um empreendedor. É hora de parar de falar em crise e arregaçar as mangas. É hora de parar de reclamar e começar a trabalhar com afinco para a glória de Deus.

Portanto, não podemos ficar com os olhos fitos nos problemas, é preciso ouvir, crer e obedecer a Deus, na certeza que ele pode fazer um milagre extraordinário em nossas vidas.

Pr. Eli Vieira

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

SANTIDADE AO SENHOR

 

Texto: Hebreus 12.14-16

John C. Ryle, bispo em Liverpool no século XIX,  disse: “Precisamos ser santos, porque esse é um supremo fim e propósito pelo qual Cristo veio ao mundo… Jesus é um Salvador completo. Ele não retira, meramente, a culpa do pecado do que crê, ele vai além… rompe o seu poder (1 Pe 1.2; Rm 8.29)”.

A união entre paz e santificação aqui é uma advertência implícita de que não devemos buscar a paz a ponto de comprometer a santificação. O cristão busca a paz com todos, mas busca a santidade também, e esta não pode ser sacrificada por aquela.

A sã doutrina reformada será inútil, se não for acompanhada por uma vida santa. Tenho a firme impressão de que precisamos de um completo reavivamento acerca da santidade bíblica. Por quê ?

 1-NOS FAZ PERCEBER O PECADO (Rm 3.23) - O pecado é a transgressão da lei 1 João 3.4. Aquele que desejar ter pontos de vista corretos sobre a santidade cristã terá de começar examinando o vasto e solene assunto do pecado. Conceitos errôneos sobre a santidade geralmente advêm de ideias distorcidas quanto à corrupção humana.

A verdade absoluta é que o correto conhecimento do pecado jaz à raiz de todo o cristianismo salvífico. Sem ele, doutrinas como justificação, conversão e santificação serão apenas “palavras e nomes” que não transmitem qualquer sentido à nossa mente. John Owen escreveu, com toda a razão: “Não posso entender como um homem pode ser um crente verdadeiro, se para ele o pecado não é a maior carga, a maior tristeza e o maior motivo de perturbação”. 

No entanto, a primeira coisa que Deus faz quando quer tornar alguém em uma nova criatura em Cristo é iluminar-lhe o coração, mostrando-lhe que ele é um pecador culpado. Se um homem não percebe a natureza perigosa da doença de sua alma, ninguém poderá admirar-se de que ele se contente com remédios falsos ou imperfeitos. 

  2- A VERDADEIRA SANTIFICAÇÃO É OPERADA PELO ESPÍRITO (Jo 17.17; I Ts 4.3) - Esse é um assunto de máxima importância para a nossa alma. Há três coisas que, de acordo com a Bíblia, são absolutamente necessárias para a salvação de todo homem e mulher na cristandade. Essas três coisas são justificação, regeneração e santificação.

A santificação é aquela operação interna que o Senhor Jesus Cristo realiza em uma pessoa pelo Espírito Santo, quando Ele a chama para ser um servo verdadeiro. O instrumento mediante o qual o Espírito efetua essa obra geralmente é a Palavra de Deus, embora algumas vezes use as aflições e as visitas providenciais “sem palavra alguma” (1 Pe 3.1).É o invariável resultado da união vital com Cristo, que a verdadeira fé confere a um crente: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto” (Jo 15.5). Aquele que tem uma esperança real e viva em Cristo purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro (Tg 2.17-20; Tt 1.1; Gl 5.6; 1 Jo 1.7; 3.3).

  É absolutamente necessária para nos treinar e nos preparar para o céu. A maioria dos homens espera chegar ao céu quando morrerem; mas bem poucos, o que é de se temer, preocupam-se em considerar se conseguirão apreciar o céu, se ali chegarem. Teremos de ser santos antes de morrer, se quisermos ser santos quando estivermos na glória.

3 -A SANTIDADE IMPLICA EM VIDA PRÁTICA (Hb. 12.14) - A santificação [santidade], sem a qual ninguém verá o Senhor (Hebreus 12.14). Trata-se da santidade prática. Ele sugere um questionamento que requer a atenção de todos os cristãos professos, a saber: Somos santos? Veremos o Senhor? Esta pergunta diz respeito aos homens de todas as classes e condições.

            Por qual motivo a santidade é tão importante? Permita-me expor algumas razões que explicam isso. Acima de tudo, devemos ser santos porque a voz de Deus, nas Escrituras Sagradas, assim nos ordena claramente dizendo: “Sede santos, porque eu sou santo”(I Pe 1.16).  Porque essa é a grandiosa finalidade e propósito daquilo que Cristo veio fazer no mundo. Paulo escreveu: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse” (Ef 5.25,26 Porque essa é a única prova de que amamos o Senhor Jesus Cristo com sinceridade. Esse é um ponto acerca do qual Ele falou nos mais claros termos em João (Jo 14.15,21,23 e 15.14).

Além disso, a santificação é o único sinal seguro da eleição divina. O apóstolo Paulo percebeu a “fé” atuante, o “amor” operante e a “esperança” paciente dos crentes de Tessalônica, disse: “reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição” (1 Pe 1.2; 2 Ts 2.13; Rm 8.29; Ef 1.4; 1 Ts 1.3-4). Aquele que se orgulha de ser um dos escolhidos de Deus enquanto voluntária e habitualmente vive em pecado; está apenas enganando a si mesmo e proferindo ímpias blasfêmias. O catecismo da nossa igreja ensina, de forma correta e sábia, que o Espírito Santo “santifica todos os eleitos de Deus”.

             Devemos ser santos na terra, se quisermos ser santos no céu. Foi Deus quem o disse e Ele não retrocederá: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Observou Jenkyn: “O calendário do papa só declara santos às pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos vivos”.

Conclusão

Portanto, você quer ser santo? Então terá de começar com Cristo. Você simplesmente não conseguirá fazer coisa alguma e nem obterá qualquer progresso, enquanto não sentir os seus pecados e fraquezas, e não fugir para Ele. A santidade é a obra que Jesus efetua nos corações dos crentes, através do Espírito que Ele lhes proporciona no íntimo. Cristo foi nomeado para ser “Príncipe e Salvador, a fim de conceder ao homem o arrependimento e a remissão de pecados”. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem em seu nome” (Jo 1.12).

Pr. Eli Vieira

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

HELEN ROSEVEARE – DECEPÇÕES TRANSFORMADAS EM BENÇÃOS



 No momento em que Jesus lavava os pés dos discípulos, junto à reação de Pedro para que os seus pés não fossem lavados pelo Mestre, Jesus fez uma importante declaração: “O que eu faço não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois” (Jo 13.7).

Nem sempre entenderemos o porquê das coisas no momento, só depois. A vida da missionária inglesa Dra. Helen Roseveare é um grande atestado dessa verdade. Em 1953 navegou para o Congo, enfrentando já três problemas: era mulher, era branca e solteira.

Helen foi profundamente discriminada pelos nativos e pelos colegas da Cruzada de Evangelização Mundial. Seu alvo principal era evangelizar os nativos. Decidiu criar um centro preparatório de enfermeiras, para aprenderem a Bíblia e medicina básica para atenderem às carências espirituais e físicas da população. Após o treinamento, seriam enviadas de volta às suas cidades a fim de tratar dos casos de rotina e ensinar cuidados médicos preventivos, enquanto serviam como evangelistas leigas.

Construiu, nos dois primeiros anos, na cidade de Ibambi, um Hospital-Escola, com muito sacrifício. Para a sua decepção, em 1955, a Missão a tirou daquela frente de trabalho, e foi forçada a se mudar para outra cidade, Nebobongo. Tudo o que ela fez foi praticamente tomado de suas mãos. Assumiu o novo trabalho em uma maternidade abandonada e um centro de tratamento de leprosos. Tomou aquele centro e o transformou em um hospital com mais de 100 leitos, cuidando de parturientes, leprosos e crianças. Fez ali, também, um centro de treinamento para paramédicos e 48 clínicas rurais. Infelizmente tudo isso parecia causar muito ciúme nos demais missionários.

Ela escolheu um idoso pastor africano para ser seu conselheiro espiritual. Era inaceitável para seus colegas verem um missionário se humilhar para um africano, e o estabelecer como seu conselheiro. A Missão, por sentir que ela era uma ameaça, em 1957, decidiu deslocar um médico novo, Dr. Harris, para ser o superior dela naquele hospital que ela mesma construíra.

Muito esgotada, em 1958 rumou para a Inglaterra para um ano sabático, até pensando em não voltar, por sofrer tanta humilhação da parte da sua própria equipe. Todavia ela retornou, por entender o seu chamado.

Em 1960, o Congo se tornou independente da Bélgica, e em 1964 estourou uma guerra civil, que resultou numa grande aflição para os missionários. Todo o hospital em Nebobongo foi destruído, e juntamente com os missionários foi detida e colocada numa casa pela força rebelde. Depois foram todos levados para uma prisão.

Todos os brancos que estavam no país sofreram retaliação dos rebeldes negros. Helen foi muito espancada, machucada e estuprada. Sentiu naquela ocasião que Deus a tinha abandonado. Mas nisso tudo ela teve uma experiência bem mais profunda com o Senhor e entendeu Deus falando ao seu coração.

Começou a sentir um grande privilégio de sofrer por Cristo ali no campo missionário. Então ela foi levada de volta para sua pátria. Em 1966, retornou para o Congo, na convicção de seu chamado como médica-missionária, para o posto de treinamento dos nativos. Deixou Nebobongo para construir um novo centro médico em Nyankunde, e ali fez um hospital para 250 leitos, enfermarias para maternidade, escola de medicina, centro de tratamento de leprosos e outros vários investimentos.

Claro que ela enfrentou outras várias dificuldades. Num país africano, sua autoridade “branca” era questionada continuamente, o que a levou a sentir-se decepcionada e um pouco abandonada. Ainda assim, ficou mais sete anos na África. Ela entendeu que seus 20 anos ali terminaram numa tragédia, pela ótica humana.

Em 1973 retornou ao Reino Unido, estabelecendo-se na Irlanda do Norte. Nesse tempo, escreveu vários livros. O que ela não sabia é que Deus, a partir de agora, querida usá-la como uma conferencista internacional, falando sobre o desafio missionário. Ela foi tão usada por Deus a partir daí que fez, talvez, mais do que fizera na África.

Toda a sua decepção se converteu numa grande bênção. Deus sempre faz assim com seus servos: transforma grandes decepções em fontes inesgotáveis de bênçãos para o seu reino. Helen faleceu em 2016.

Rev. José João de Paula

JOHN G. PATON – O VALENTE ENTRE OS CANIBAIS

 



Foi num lar de muita oração e consagração, que nasceu John Gibson Paton, na Escócia, filho de presbiterianos. Os pais o dedicaram ao Senhor para se tornar missionário em alguma região de um povo totalmente não alcançado pelo Evangelho. Mudou-se para Glasgow. Lá tornou-se missionário da Missão da Cidade de Glasgow. Após dez anos na Missão, sentiu forte chamado para o trabalho missionário nas Novas Hébridas (um grupo de ilhas no sul do Oceano Pacífico, que hoje formam a nação de Vanuatu).

Paton declarou: “Se eu conseguir viver e morrer servindo e honrando ao Senhor Jesus, não me importarei em ser comido por antropófagos ou por bichos; no grande dia da ressurreição, o meu corpo se levantará tão belo… na semelhança do Redentor ressuscitado”.

De fato, aquelas Ilhas já haviam sido batizadas com o sangue de mártires. Em 1858, foi ordenado ao ministério e casou-se com Mary Robson. Partiram em 16 de abril. Nas Novas Hébridas se fixaram na Ilha de Tanna, tendo um grande choque com os costumes locais. Paton viu ali os nativos se matarem como rotina.

O povo adorava elementos animados e inanimados. Foi ali que os Patons envidavam todos os esforços para clamar poderosamente ao Senhor em oração e falar de Jesus. Eles foram atacados por enfermidades. Após um ano na ilha (1859), Mary deu à luz e morreu de febre. O filhinho morreu, também, três semanas depois. Ele disse: “Não fosse Jesus… eu teria enlouquecido e morrido ao lado daquela sepultura solitária”.

Nos primeiros anos, Paton viu pouco fruto em Tanna. O sarampo varreu um terço da Ilha naquela época. Treze dos nativos que trabalhavam com ele morreram e o restante foi embora, com exceção de apenas um. Paton e o único permanente ficaram trancados num quarto cerca de quatro dias, enquanto os nativos os aguardavam fora para matá-los e comê-los. Paton fugiu e foi para a Austrália, a fim de pregar nas igrejas presbiterianas, relatar tudo que suportara em Tanna, e levantar recursos para o trabalho missionário nas Ilhas.

Ele comprou um navio para o trabalho nas Ilhas Hébridas. Nesse tempo de campanha nas Ilhas Britânicas, decidiu casar-se novamente, agora com Margaret, e em 1864 retornaram para as I. H. Fixaram-se em Aniwa. O resultado de seu trabalho ali foi extraordinário. Os nativos começaram a receber o cristianismo. Plantaram uma igreja, estabeleceram escolas e orfanatos.

Com o apoio dos chefes nativos, Paton passou a ter uma influência poderosa na Ilha e austeras leis puritanas se tornaram padrão para os crentes. Mas o seu grande alvo era amar e ganhar os pagãos para Cristo. Quanto ao primeiro culto em Aniwa, Paton registrou: “No momento em que coloquei o pão e o vinho naquelas mãos, antes manchadas com o sangue do canibalismo, agora estendidas para receber e compartilhar dos símbolos e selos do amor do Redentor, tive um antegozo da alegria da glória que quase partiu meu coração em pedaços. Jamais provarei uma bênção mais profunda, até que venha contemplar a face glorificada do próprio Jesus”.

Após a igreja ter-se estabelecido em Aniwa, os Patons passaram seus últimos anos como estadistas missionários, viajando pela Austrália, Grã-Bretanha e América do Norte, despertando obreiros e levantando fundos para a expansão missionária nas Ilhas Hébridas. Sua influência se tornou muito impactante naquele arquipélago.

No final do século, das trinta Ilhas habitadas, poucas não haviam sido ainda alcançadas pelo evangelho. Fundou-se um Instituto de treinamento de obreiros nativos, cujo número excedia a 300, e cerca de 24 missionários serviam com eles. Paton dedicou-se, nos últimos anos de sua vida, a traduzir a Bíblia para a língua Aniwa.

Em 1904, voltaram para visitar as várias Ilhas. Em 1905, Margaret faleceu, e dois anos depois, John Paton, com 83 anos, se juntou a ela para aguardar o retorno do Senhor e a entrega do galardão que o Senhor tem para eles. Louvado seja o Senhor pela grande herança que o casal deixou nas Ilhas. Seu filho Frank Paton foi o sucessor deles. A Deus toda glória por Cristo e pelos 51 anos de trabalho missionário transcultural de John Paton!

Rev. José João de Paula

Fonte: APMT

JOHN NELSON HYDE – O APÓSTOLO DA ORAÇÃO

 



A história de John Hyde é uma das maiores inspirações para nossa vida cristã e para o trabalho missionário – um jovem presbiteriano que desceu ao noroeste da Índia em 1892, ao Punjab.

Durante a viagem, Hyde abriu uma carta que recebera antes de viajar. Leu-a e ficou irado. A carta dizia que ele deveria buscar a plenitude do Espírito Santo para a capacitação de sua obra naquele país. Amassou-a e a lançou no convés do navio. Entendia que era essa carta quase uma acusação e uma agressão à sua fé. Todavia, começou a refletir sobre o que lera e decidiu pegá-la novamente e a releu. Entendeu que ainda precisava mais do que já havia recebido. Começou a buscar muito mais ao Senhor em oração durante a viagem, pedindo-lhe que o enchesse do seu Santo Espírito, e a conhecer, de forma prática, a experiência real do que significava o que Jesus prometera: “Recebereis poder… e sereis minhas testemunhas …” (At 1.8).

Os seus primeiros doze anos na Índia foram de esforço, lutas, dedicação ao estudo das Escrituras e da língua. Durante esses anos, se consagrou a visitar as inúmeras vilas, buscando ovelhas para o Bom Pastor. Percebendo a dureza e a aridez dos corações para crer, decidiu, juntamente com outros obreiros, experimentar uma dor bem mais profunda no campo da oração e na amplitude das fronteiras da fé.

Em 1904, um grupo de missionários, inspirado pela vida de oração de Hyde, formou a Associação de Oração de Punjab, em Sialkot. Hyde também era membro. Não dá para medir o impacto das pregações ministradas por Hyde, resultantes dessa vida de oração, regadas pelo poder do Espírito Santo! Deus soprava seu Espírito sobre ele e sobre a obra na Índia.

Tanto Hyde quanto os demais da Associação entendiam que o único método de adquirir tal despertamento era por meio de oração. Assentaram em seus corações, deliberada, definitiva e determinantemente, empregar esse meio até alcançarem o resultado.

Antes e durante as convenções em Sialkot, Hyde e os demais membros da Associação passavam noites inteiras e longos períodos em oração. Eram convenções evangelísticas – e às vezes para crentes – e Deus derramava seu Espírito sobre as multidões.

John Hyde decidiu no seu coração pedir a Deus vidas salvas todos os dias. Em 1908 pediu ao Senhor uma por dia; o Senhor as dava; em 1909, duas por dia; em 1910, quatro por dia. O Senhor lhe dava até dez por dia. Era o poder do Espírito Santo que descia dos céus sobre ele através das longas horas de oração. Era chamado de “o homem que nunca dorme”.

“Hyde foi um instrumento para o estabelecimento das conferências anuais em Sialkot, por meio das quais milhares de missionários e obreiros nativos voltaram para os campos cheios de poder e vigor para a obra”.

Ele retornou para a América devido a problemas de saúde, e em 1912 o Senhor o chamou à sua presença. Antes de sua morte, quando o médico o examinou, afirmou:

“O coração está em terríveis condições; nunca encontrei um caso como este. Está deslocado da posição normal no lado esquerdo e passou para o lado direito. O Sr. Hyde esforçou-se tanto que agora deve ficar em descanso meses e meses para que o coração possa voltar ao lugar. Que é que o Senhor fez para chegar a essa situação?”

A conclusão a que chegaram foi: sua vida de incessante luta em oração, com lágrimas, pelos seus filhos na fé, pelos companheiros de lutas e pela igreja na índia.

Na hora de sua morte, sua última frase foi: “Aclamem a vitória de Jesus Cristo!” Sim, John Hyde orou até seu coração ser deslocado para o Senhor levantar milhares de obreiros e convertidos na Índia. Ele era conhecido na Índia como “O Hyde de oração”, “O apóstolo da oração”. E nós, como seremos chamados?

Rev. José João de Paula

Fonte: APMT

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Igreja Presbiteriana Semear 15 anos Fundação e 4 anos de Organização Eclesiástica

    



Nos das 13 e 14 de agosto de 2022 a Igreja Presbiteriana Semear celebrou com Gratidão a Deus os seus 15 anos de fundação e 4 anos de organização eclesiástica. Tendo como pregadores o Pr. Egenildo e Pr. Eli Vieira (atual pastor da IP Semear), e contou com a participação do Ministério de Louvor da IP Jardim das Oliveiras de Itabuna-BA e o Ministério de Louvor da IP Semear. A Deus somente a Glória.
Rev.Egenildo pastor da IP Jardim das Oliveira, Itabuna-BA

    A igreja Presbiteriana Semear surgiu através do trabaho de um Pequeno Grupo da Igreja Presbiteriana Jardim das Oliveira de Itabuna-BA, que teve início na casa dos irmãos: presbítero Odilon e sua esposa irmã Angela no dia 11 de agosto de 2007 o Pequeno Grupo se desenvolveu durante os anos depois se tranformou em Congregação e no dia 15 de abril de 2018 foi organizada a Igreja Presbiteriana Semear pelo Presbitério Grapiúna da Bahia. Graças ao nosso Deus pela vida dos irmãos, evangelistas e pastores que contribuiram para o desenvolvimento da IP Semear.

    Atualmente a IP Semear é administrada pelo seu conselho, composto pelos seguentes irmãos: Pastor Eli Vieira, presbíteros: Pb.Odilon Pereira, Pb.Mauro Lopes, Pb.Igo Reis e Pb. Silvério Vanderley e sua junta diaconal composta pelos diáconos: Alescley Alves, João Batista, Junio Pereira e José Silva e pelos Líderes Departamentais e Ministérios: tesoureira da igreja a irmã Maria Aparecida, EBD superintendente a irmã Jeane Reis, Acolhimento a irmã Mara, Ministério de Casais Pb. Mauro e Samara, Ministério Infantil a irmã Ângela, Evangelismo e Missões Pr. Eli, Jovens e Adolescente Pb. Igo e a irmã Valéria Reis, Ministério de Mulheres a irmã Maria Goretti, Música da Igreja Pb. Igo e Ornamentação a irmã Gilmara. E assim a IP Semear prossegue firmada na Palavra de Deus, na dependência do Senhor e Proclamando o Evangelho da Graça para honra e glória de Deus, e podemos dizer: “até aqui nos ajudou o Senhor”( 1 Sm 7.12).


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