terça-feira, 28 de novembro de 2023

O ENCONTRO DE JESUS COM A MULHER SAMARITANA

 


UM ENCONTRO INCOPARÁVEL

João 4.1-42

Uma vez que os fariseus tentavam provocar uma competição entre Jesus e João Batista (Jo 3:25-30), Jesus saiu da Judeia e se dirigiu para o norte da Galileia. Poderia escolher entre três caminhos para chegar a seu destino: (1) seguindo pela costa; (2) atravessando o Jordão e subindo pela Pereia; ou (3) indo por Samaria. Os judeus ortodoxos evitavam passar por Samaria por causa do ódio antigo e profundo existente entre eles e os samaritanos.

Os samaritanos eram uma raça mestiça, parte judia e parte gentia, que havia se formado durante o cativeiro assírio das dez tribos do norte a partir de 727 a.C. Rejeitados pelos judeus por não poderem provar sua genealogia, os samaritanos estabeleceram seu próprio templo e cultos religiosos no monte Gerizim, o que só serviu para aumentar o preconceito. A aversão dos fariseus pelos samaritanos era tal que oravam para que nenhum samaritano fosse revivido no dia da ressurreição! Numa tentativa de insultar Jesus, seus inimigos o chamaram de samaritano (Jo 8:48). Uma vez que operava dentro do plano de Deus, era necessário que Jesus passasse por Samaria. Lá, encontraria uma mulher e a conduziria à fé salvadora, o tipo de fé que teria impacto sobre uma vila inteira. Jesus não fazia acepção de pessoas. Em uma ocasião anterior, havia aconselhado um judeu moralista (Jo 3) e, agora, estava prestes a testemunhar a uma mulher samaritana imoral!

Chegou ao poço de Jacó por volta do meio dia, horário em que as mulheres iam buscar água. Os discípulos foram à cidade mais próxima para buscar comida, enquanto Jesus esperou, de propósito, ao lado do poço. Estava cansado, faminto e sedento. João não mostra Jesus apenas como o Filho de Deus, mas também como um homem. Cristo passou pelas experiências normais da vida humana e é capaz de identificar-se conosco em cada uma delas.

Neste texto de João 4.1-42, Jesus nos ensina algumas lições que precisamos aprender. Jesus nos ensina que:

1- É PRECISO ROMPER AS BARREIAS PARA PREGAR O EVANGELHO (4.1-6)

Jesus foge do conflito sobre o batismo e sai da Judeia rumo à Galileia (4.1-3). Nessa jornada em direção ao norte, ele opta por passar pela província de Samaria (4.4). Meus irmãos, a agenda de Jesus começa no céu. Era-lhe necessário passar por Samaria. Havia três estradas para fazer esse trajeto do sul ao norte: uma nas proximidades da costa, outra através da Pereia, e outra que passava pelo centro de Samaria. Esta era a mais curta, porém algumas vezes evitada por causa do conflito entre judeus e samaritanos.

Jesus faz a transição de um diálogo com um doutor da lei para um diálogo com uma mulher samaritana pecadora. O contraste entre Nicodemos e a samaritana é gritante: ele, homem, judeu, fariseu, mestre, membro do Sinédrio; ela, mulher, samaritana, inculta, vivendo uma vida imoral. Ambos, porém, precisavam de Jesus e foram alvos do amor de Jesus.

Nicodemos era um erudito, poderoso, respeitado, ortodoxo, teologicamente preparado; a samaritana era inculta, sem influência, desprezada, capaz somente de praticar uma religião popular. Ele era um homem, um judeu, um líder; ela era uma mulher, uma samaritana, uma pária moral. E ambos necessitavam de Jesus.

Jesus ao se encontrar com aquela mulher ele não a acusou, apontando os seus pecados, mas lhe pediu um favor, depois apresentou a mulher a mensagem do evangelho.

Para alcançar aquela mulher Jesus ultrapassou algumas barreiras: Primeiro, a barreira cultural. O nome Sicar significa “cidade dos bêbados”. Jesus, porém, mandou que seus discípulos comprassem comida em Sicar. Os judeus consideravam imunda a comida dos samaritanos. Além do mais, um rabino não podia conversar com uma mulher em público. Jesus não só conversou com ela, mas lhe pediu um favor. A mulher tinha uma vida moral reprovada pela lei. Já tinha tido cinco maridos e agora vivia com um amante. Era uma mulher desprezada, mas Jesus a valorizou.

Segundo, a barreira racial – o povo samaritano era uma espécie de caldeamento de raças (2Rs 17.6,24). O povo samaritano era meio judeu e meio gentio. Havia perdido sua identidade racial. No tempo de Jesus, a desavença entre judeus e samaritanos perdurava por mais de quinhentos anos. Um judeu considerava um samaritano combustível para o fogo do inferno. Eles não se davam. Não bebiam nos mesmos vasos. No entanto, Jesus conversou com a samaritana e lhe pediu um favor.

Terceiro, a barreira religiosa. A separação entre judeus e samaritanos se relacionava, também, com a apostasia religiosa dos samaritanos. Eles haviam perdido a integridade doutrinária. Os samaritanos não preservaram a fé intacta. Diziam que o monte Gerizim era o lugar do verdadeiro templo e o lugar da verdadeira adoração. Rejeitaram o Antigo Testamento. Criam apenas nos livros da lei, o Pentateuco. Está provado que os samaritanos tinham uma religião sincrética, misturada e herética. Quando João Hircano, o general caudilho judeu, em 129 a.C. atacou Samaria e destruiu o templo samaritano, o ódio dos samaritanos pelos judeus agravou-se intensamente. A conversa de Jesus com a mulher samaritana tem todo esse cenário religioso como pano de fundo. Jesus supera todos esses obstáculos, vence todas essas barreiras e triunfa sobre todos esses preconceitos para alcançar o coração dessa mulher e lhe dar uma nova vida.

2- É PRECISO PREGAR O EVANGELHO AO PECADOR (4.7-18)

O evangelho precisa se pregado para libertar os pecadores que estão mortos em seus delitos e pecados. Meus irmãos, podemos aprender com Jesus coisas maravilhosas no diálogo dele com esta mulher samaritana, ele lhe despertou:

A SIMPATIA (4.7-9) – Jesus fez um ponto de contato com aquela mulher pedindo-lhe algo: Dá-me um pouco de água. Concordo com William Hendriksen quando ele diz que, “se alguém deseja penetrar o coração de outra pessoa, pode usar dois métodos: fazer-lhe um favor ou pedir-lhe um favor”. Com frequência, a segunda opção é mais eficaz que a primeira. Jesus, no entanto, combinou as duas.

Jesus se identificou com a mulher. Ele deu valor a ela, quando todos fugiam. Jesus quebrou a barreira cultural, conversando com a mulher em público. Ele não fugiu dela nem a desprezou, mas a olhou com simpatia. Não a julgou nem a condenou. John Charles Ryle explica: “É em vão esperar que as pessoas virão a nós em busca de conhecimento. Nós devemos começar por elas. Devemos entender qual é o melhor acesso ao coração delas”.

A CURIOSIDADE (4.10-12) – “A mulher precisava conhecer o dom de Deus, a água da vida” (4.10). A água da vida que Jesus oferece não vem de um poço comum. É uma dádiva que só o Messias pode conceder. Muitas pessoas vivem uma vida infeliz, vazia e prisioneira porque não conhecem Jesus, o supremo dom de Deus. A mulher samaritana talvez não esperasse nada de Deus. Estava desiludida. Por isso, Jesus tocou no nervo exposto de sua curiosidade: “Se conhecesses […] não conheceis”. Essa fala de Jesus aguçou na mulher o desejo de saber quem era aquele interlocutor.

O SENSO DE NECESSIDADE (4.13-15) – a mulher samaritana não entendeu quando Jesus falou sobre a água da vida. Tanto o erudito Nicodemos quanto a ignorante samaritana não entenderam a linguagem espiritual de Jesus. As coisas deste mundo não satisfazem. Nada que o homem jogue para dentro do coração satisfaz. A água do poço de Jacó não satisfaz para sempre. A água do poço de Jacó fica fora da alma e não é capaz de satisfazer as necessidades do coração. A água do poço de Jacó é de quantidade limitada, diminui e desaparece.

Charles Erdman disse: “Satisfação era exatamente aquilo a que essa pobre mulher aspirava. Atrás disso andara toda a vida, e nessa busca não respeitara nem as leis de Deus, nem as dos homens. Entretanto, continuava sedenta; e a sede nunca seria satisfeita, senão quando achasse em Cristo o Senhor e Salvador pessoal”.

Que água é essa, a água da vida? A promessa de Deus é derramar água sobre o sedento (Is 44.3). Deus convida todos: Vos, todos os que tendes sede, vinde às águas (Is 53.1). Deus prometeu que seu povo tiraria com alegria águas do poço da salvação (Is 12.3). Jesus disse: Se alguém tem sede, venha a mim e beba (Jo 7.37). O Espírito que flui como rio dentro de nós é essa fonte que jorra para a vida eterna (Jo 7.38). William Barclay diz que, para o judeu, água viva significava água corrente. Tratava-se da água que fluía de uma nascente, em oposição à água estancada, parada de uma cisterna.

D. A. Carson quando ele diz que há ecos de promessas do Antigo Testamento nessa promessa de Jesus. No dia da salvação, o povo de Deus tirará águas das fontes da salvação com alegria (Is 12.3); eles não sentirão fome nem sede (Is 49.10). O derramar do Espírito de Deus será como o derramar de água sobre o sedento e torrentes sobre a terra seca (Is 44.3). A linguagem da satisfação e transformação interior traz à mente uma série de profecias, antecipando o novo coração e a troca do falido formalismo religioso por um coração que conhece e experimenta Deus, ansioso por fazer sua vontade (Jr 31.29-34; Ez 36.25-27; Jl 2.28-32).19 Jesus desperta sua consciência (4.16-18) para uma vida em uma nova dimensão.

3- O PECADOR PRECISA SE ARREPENDER PARA SER SALVO (4.16-18)

Ela se arrependeu dos seus pecados (4.16-18) – Convicção de Pecado. Jesus despertara sua consciência (4.16-18) Jesus faz uma transição radical na conversa com a mulher e ordena: Vai, chama teu marido (4.16). Essa transição, porém, tem uma ligação estreita entre o pedido da mulher e a ordem de Cristo. A mulher quer essa água viva, mas tem sede suficiente para recebê-la? Hendriksen comenta: “Essa sede não será completamente despertada a menos que haja um senso de culpa, uma consciência de pecado”.

 A menção de seu marido é a melhor maneira de lembrá-la de sua vida imoral. O Senhor está, agora, falando à consciência da samaritana. Jesus mostra que, antes de beber a água da vida, ela precisa ter convicção de pecado e passar pelo arrependimento. Não há salvação sem arrependimento. Jesus destampa tanto o passado quanto o presente da mulher samaritana, preparando seu coração para receber o dom de Deus (4.14-16).

John Charles Ryle sustenta que, a menos que homens e mulheres sejam levados à consciência de sua pecaminosidade e de sua necessidade, nenhum bem poderá ser feito à sua alma. Até que o pecador veja a si mesmo como Deus o vê, ele continuará sem nenhuma ajuda. Nenhum pecador desejará o remédio da graça até se reconhecer como doente. Ninguém está habilitado a ver a beleza de Cristo até ver a própria hediondez. A ignorância do pecador levará à negligência a Cristo.

A mulher samaritana dá uma resposta verdadeira, mas incompleta. A resposta era formalmente correta, mas potencialmente enganosa. Nas palavras de Werner de Boor, a mulher proferiu uma meia verdade, por meio da qual esperava esquivar-se para uma escuridão protetora.

A mulher disse: “Não tenho marido” (4.17). Jesus, elogiou sua sinceridade formal, enquanto afirmou que ela já havia tido cinco maridos (mortos ou divorciados), e o homem com quem ela vivia agora não era de forma alguma legalmente seu marido (4.17,18). 

O conhecimento preciso de Jesus sobre o seu passado provava que Jesus é o Messias. A mulher percebeu que Jesus conhecia sua vida. A mulher samaritana reconheceu que estava diante de um profeta. A mulher percebeu que Jesus conhecia sua vida. A mulher samaritana reconheceu que estava diante de um profeta.

Jesus desperta seu sentimento religioso (4.19-24) –A mulher até então tão falante se calou quando Jesus tocou no seu pecado. Outros acreditam que ela mudou de assunto, passando a uma discussão teológica, uma vez que a conversa havia se tornado incômoda. É mais fácil discutir teologia do que enfrentar os próprios pecados. Nas palavras de D. A. Carson “é mais fácil falar de teologia que tratar com uma verdade pessoalmente angustiante”.

Contudo, como os samaritanos só acreditavam no Pentateuco e como Deuteronômio diz que Deus suscitaria outro profeta semelhante a Moisés, esse profeta seria o Messias. Assim, essa mulher fez uma pergunta honesta: Onde adorar? Jesus respondeu que o importante não é onde, mas como e quem adorar. A verdadeira adoração a Deus é em espírito e em verdade. E de todo o coração e também prescrita pela Palavra de Deus. Os samaritanos adoravam o que não conheciam. Assim, qualquer religião que consista apenas em formalidade, sem fundamentação nas Escrituras, é absolutamente inútil.

A verdadeira adoração é um dos temas centrais das Escrituras. A veneração de imagens de escultura é uma abominação para Deus, pois Deus é plenamente espiritual em sua essência. Quando Jesus diz que Deus é Espírito, isso significa que Deus é invisível, intangível e divino, em oposição a humano. E desconhecido para os seres humanos a menos que decida se revelar (1.18). Da mesma forma que Deus é luz (l Jo 1.5) e amor (l Jo 4.8), também é Espírito (4.24). Esses são elementos da forma em que Deus se apresenta aos seres humanos, da bondosa autorrevelação em seu Filho. Deus escolheu se revelar quando o Verbo se fez carne. Quem vê Jesus, vê o próprio Pai.

O culto prestado a outros deuses é uma ofensa a Deus, pois Deus é um só e não há outro. A adoração a Deus, entre[1]mentes, não pode ser do nosso modo nem ao nosso gosto, pois Deus mesmo estabeleceu critérios claros como exige ser adorado. Muitas igrejas, com o propósito de agradar às pessoas, estabelecem formas estranhas de adoração que não estão prescritas nas Escrituras. Isso é como fogo estranho no altar. O pragmatismo religioso está substituindo a verdade de Deus em muitas igrejas. Muitas pessoas buscam o que funciona, não o que é certo. Procuram o que dá resultado, não a verdade. Estabelecem um culto sensório, não um culto em espírito e em verdade.

A verdadeira adoração não se limita a um lugar, seja o Monte Gerezim ou ao Monte ou a Jerusalém, mas em espírito e em verdade. A adoração não é centrada em lugares sagrados 4.20. Não é neste monte nem naquele. Não existe lugar mais sagrado que outro. Não é o lugar que autentica a adoração, mas a atitude do adorador. Segundo, não é adoração sem entendimento (4.22). Os samaritanos adoravam o que não conheciam. Havia uma liturgia desprovida de entendimento. Havia um ritual vazio de compreensão. Terceiro, não é adoração descentralizada da pessoa de Cristo (4.25,26). Os samaritanos adoravam, mas não conheciam o Messias. Cristo não era o centro do seu culto. Nossa adoração será vazia se Cristo não for o centro. O culto não serve para agradar as pessoas. A música não serve para entreter os adoradores. A verdadeira música vem do céu e é endereçada ao céu (SI 40.3). Vem de Deus por causa de sua origem e volta para Deus por causa de seu propósito.

A adoração falsa é abominação para Deus, e a adoração hipócrita provoca o desgosto de Deus. O profeta Isaías já havia demonstrado o desgosto divino, quando disse que o povo de Israel honrava a Deus com os lábios, mas seu coração estava distante de Deus (Is 29.13). Nessa mesma linha, Amós foi contundente quando escreveu em nome de Deus: Eu detesto e desprezo as vossas festas; não me agrado das vossas assembleias solenes […]. Afastai de mim o som dos vossos cânticos, porque não ouvirei as melodias das vossas liras (Am 5.21,23).

Jesus também diz à mulher samaritana o que a adoração é. Primeiro, a adoração precisa ser bíblica (4.24). O nosso culto é bíblico ou é anátema. Deus não se impressiona com pompa; ele busca a verdade no íntimo. Segundo, a adoração precisa ser sincera (4.24). A adoração precisa ser em espírito, ou seja, de todo o coração. Precisa ter fervor. Não é um culto frio, árido, seco, sem vida.

Jesus desperta em seu coração a fé verdadeira (4.25,26) – A mulher menciona o Messias que havia de vir. Então, Jesus diz: Sou eu, o que está falando contigo. A declaração, sou eu lembra a própria revelação de Deus Eu sou o que sou (Ex 3.14). Jesus disse este “Eu sou” nove vezes nesse evangelho (6.20; 8.24,28,58; 13.9; 18.5,6,8). Até aqui, seis vezes Jesus se dirigiu à mulher, e seis vezes ela lhe respondeu. Na sétima vez, quando Jesus declarou ser o Messias, ela não lhe diz palavra; o quedemos é que ela deixou ali seu cântaro, foi à cidade e disse ao povo: Vinde, vede um homem que me disse tudo o que tenho feito; será ele o Cristo?

A samaritana encontrou o Messias. Saciou sua alma e bebeu da água da vida. De acordo com William Barclay, o fato de a mulher samaritana ter deixado o cântaro aponta para dois fatos: 1) ela estava com pressa para ir à cidade e compartilhar sua experiência com o Messias; 2) ela tinha convicção de que voltaria para estar com Jesus.

Podemos elencar várias evidências de sua verdadeira conversão. Primeiro, a samaritana deixou o cântaro (4.28). Segundo, ela correu à cidade para anunciar Jesus (4.28b[1]30). Ela testemunhou para toda a cidade ter encontrado um homem que para ela era o Messias. Quem encontra Jesus tem pressa em compartilhar essas boas-novas com todos. Sua compreensão sobre Jesus foi progressiva: primeiro, pensou ser um viajante judeu cansado; daí passou a considerá-lo “profeta”; e finalmente, Cristo, a quem o povo de sua cidade chama de “o Salvador do mundo” .

 John MacArthur disse: “que O diálogo de Jesus com a mulher samaritana ilustra três Verdades inegociáveis sobre a salvação. Em primeiro lugar, a salvação vem somente para aqueles que reconhecem sua desesperada necessidade de vida espiritual. Segundo, a salvação vem somente para aqueles que confessam e se arrependem de seus pecados e desejam perdão. Terceiro, a salvação vem somente para aqueles que recebem Cristo como o seu Messias e Salvador”.

4- O SALVO PRECISA SER TESTEMUNHA DE JESUS (4.28-30)

A atitude da mulher samaritana (4.28-30) – A mulher samaritana teve os olhos abertos progressivamente. Agora, ela compreende que está diante do Messias, o esperado Salvador do mundo. Sua alma é dessedentada pela água da vida, e não consta que Jesus tenha bebido a água do poço de Jacó. A transformação da mulher samaritana pode ser confirmada por suas atitudes, como vemos a seguir.

Primeiro, ela abandona o seu cântaro. A mulher deixou ali seu cântaro […] (4.28a). A água que ela foi buscar não tinha mais vital importância agora. A mulher havia encontrado a água da vida. Havia saciado sua alma. Sua vida fora penetrada pela luz do céu, e os segredos do seu coração foram revelados pelo Messias. Havia pressa para contar essa boa-nova à sua cidade, e a samaritana estava disposta a desvencilhar-se de qualquer obstáculo para ganhar celeridade.

Segundo, ela proclama o Messias. […] foi à cidade e disse ao povo: Vinde, vede um homem que me disse tudo o que tenho fito ; será ele o Cristo? Saíram, pois, da cidade e foram ao encontro dele (4.28b-30). No mesmo dia da conversão dessa mulher, ela se tornou uma missionária. O testemunho da mulher samaritana tem alguns componentes que merecem destaque, como veremos a seguir.

Ela faz uma proclamação pública (4.28b). Até então, essa mulher, provavelmente, fazia de tudo para passar despercebida. Preferia as sombras do anonimato. Sua reputação era duvidosa, e sua palavra tinha pouco peso entre os homens daquela cidade. Agora, porém, ela anunciava altissonantemente o Messias. Não havia constrangimento nem temor.

Ela faz um convite veemente (4.29). Sabiamente, essa mulher fez um convite: Vinde. Usando a mesma tática que Filipe empregou com Natanael, ela disse: Vinde, vede um homem que me disse tudo o que tenho feito […]. Ela não desperdiçou tempo usando argumentos confusos; antes, conclamou à verificação. Desejava que aqueles homens tivessem a mesma experiência que ela havia tido. Queria que vissem o mesmo Messias que ela havia visto. Esperava que bebessem a mesma água da vida que ela havia bebido.

Ela faz uma confissão corajosa (4.29). A vida dessa mulher era conhecida na cidade. Todos sabiam que ela já estava morando com o sexto homem. Sua fama de amante das aventuras era o cardápio preferido dos bisbilhoteiros. Mas ela não tem mais a preocupação de encobrir seus pecados. Diz abertamente que o Messias destampou a câmara de horrores do seu coração e trouxe à luz todos os seus pecados ocultos.

Ela vê um resultado extraordinário. Saíram, pois, da cidade e foram ao encontro dele (4.30). Os discípulos de Jesus vão à cidade e voltam sozinhos, com as mãos cheias de pães. A mulher vai à cidade e traz consigo muitas pessoas para conhecerem Jesus. Os discípulos tornaram-se profissionais da religião; ela, uma missionária apaixonada.

Ainda hoje, fazemos o mesmo que os discípulos. Entramos nos supermercados, nas lojas, nas farmácias e compramos, vendemos, trocamos e entramos mudos e saímos calados quanto ao evangelho. Essa mulher samaritana reprova nosso silêncio e nossa covardia.

A atitude de Jesus (4.31 -38) Aproveitando o fato de a mulher samaritana ter se ausentado, os discípulos rogam a Jesus: Rabi, come! Jesus aproveita o ensejo para ensinar a eles uma profunda lição, dizendo que a comida mais saborosa e mais necessária era fazer a vontade do Pai. Uma cidade estava vinda ao seu encontro, e eles deveriam entender que aquele era um momento de colheita para o reino de Deus. Nenhuma necessidade era mais urgente. Nenhuma atividade lhe dava mais prazer.

Os discípulos pensam que ele está falando sobre comida física, pois perguntam: Acaso alguém lhe trouxe o que comer?

Chamo a atenção para cinco verdades a seguir.

Em primeiro lugar, precisamos ter visão. Não dizeis vós faltarem ainda quatro meses para a colheita? Mas eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos já prontos para a colheita (4.35). Os discípulos eram míopes espirituais. Eles não tinham discernimento do momento que estavam vivendo. Jesus está dizendo: “Vocês acham que deve existir certo intervalo entre a semeadura e a colheita, mas eu lhes digo que acabei de semear a semente, e a colheita já está acontecendo (referindo-se ou à mulher samaritana ou ao povo de Sicar que estava se aproximando). Apesar da colheita de grãos estar ainda distante (quatro meses), a colheita de almas já poderia ser feita. Nós, também, precisamos ter visão: visão de que, sem Cristo, o ser humano está perdido. Visão de que as falsas religiões prosperam. Visão de que a ignorância não é um caminho para Deus. Visão de que a obra de Deus precisa ser realizada agora. Se perdermos a nossa geração, perderemos o tempo da nossa oportunidade. Concordo com D. A. Carson quando ele diz que a era escatológica raiou no ministério de Cristo, no qual a semeadura e a ceifa acontecem juntas na colheita do fruto.

Em segundo lugar, precisamos ter paixão. Disse-lhes Jesus: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e completar a sua obra (4.34). Faltava aos discípulos paixão pelas almas perdidas. Falta-nos também essa mesma paixão. Sem paixão seremos apáticos e lentos. Sem paixão, seremos omissos e covardes. Precisamos clamar como Paulo: E ai de mim, se não anunciar o evangelho! (ICo 9.16). Precisamos clamar como John Knox: “Dá-me a Escócia para Jesus, senão eu morro”.

Em terceiro lugar, precisamos ter compromisso (4.33). Uma lavoura madura não pode esperar para ser colhida. Ou é colhida imediatamente, ou a colheita é perdida. Sicar estava madura para ser colhida. A cidade estava a caminho, e não havia tempo a perder. Aquela não era hora de comer, mas de trabalhar e fazer a vontade do Pai. A evangelização não é um programa, mas um estilo de vida. Esse compromisso deve arder em nosso peito. Quando o presidente americano John Kennedy foi assassinado em Dallas, em 22 de novembro de 1963, dentro de seis horas a metade do mundo já sabia de sua morte. Jesus, o Filho de Deus, foi crucificado pelos nossos pecados há dois mil anos, e quase a metade do mundo ainda não ouviu essa maior notícia do mundo.

Em quarto lugar, precisamos ter parceria (4.36-38). Jesus falou a respeito do semeador e do ceifeiro. Um planta e o outro ceifa. Jesus havia semeado na vida da mulher samaritana, e os discípulos agora fariam uma colheita do que não haviam semeado. Jesus é o semeador por excelência; mais do que isto, ele é o grão de trigo que cai na terra e morre, para produzir fruto em abundância (12.24). Não há ceifa onde não há semeadura. Nem sempre aquele que semeia é o que ceifa. Tanto o que semeia como o que ceifa, entretanto, têm sua recompensa. Não há maior alegria de que levar uma pessoa a Cristo. Não há maior recompensa do que entesourar frutos para a vida eterna.

O semeador trabalha em antecipação do que está para vir; o ceifeiro nunca deve esquecer que a colheita que ele desfruta é fruto do trabalho de outro. Na ceifa do Senhor, não há competição; deve existir parceria: um planta, outro rega e outro ainda ceifa (ICo 3.6-9).

Em quinto lugar, precisamos ter a certeza da recompensa (4.36). O ceifeiro recebe desde já sua recompensa e entesoura seu fruto para a vida eterna. Quando um pecador se volta para Deus, deve haver alegria não apenas diante dos anjos no céu, mas também diante dos ceifeiros na terra. Quando esses ceifeiros chegarem ao céu, serão recebidos por aqueles que foram alcançados por intermédio de seu ministério (Lc 16.9).

A atitude dos samaritanos (4.39-42) Em resposta ao convite da mulher samaritana, muitos samaritanos foram encontrar-se com Cristo no poço de Jacó. O testemunho da mulher foi impactante, e o resultado foi notório.

Destacamos três fatos importantes nesse ponto.

Em primeiro lugar, a fé dos samaritanos. E muitos samaritanos daquela cidade creram nele, por causa da palavra da mulher, que testemunhava: Ele me disse tudo quanto tenho feito (4.39). A fé vem pelo ouvir a palavra de Cristo. Quando falamos a respeito de Cristo às pessoas, Deus concede a elas a fé salvadora. O milagre da salvação raiou na cidade samaritana, e muitos foram salvos.

Em segundo lugar, o pedido dos samaritanos. Então os samaritanos foram até ele e pediram-lhe que ficasse; e ele ficou ali dois dias (4.40). A barreira da inimizade entre judeus e samaritanos estava caindo. Aonde o evangelho chega, os preconceitos são vencidos. Jesus agora é convidado a permanecer com eles. Os samaritanos não querem apenas ver e ouvir. Querem também ter comunhão com Jesus.

Em terceiro lugar, o testemunho dos samaritanos. E muitos outros creram por causa da sua palavra. E diziam à mulher: Já não é pela tua palavra que cremos; pois agora nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo (4.41,42). Os samaritanos não queriam ouvir apenas a mulher; queriam ouvir diretamente o Messias. E, ao ouvirem o Messias, muitos outros também abraçaram a fé. E todos testemunham que sua experiência pessoal com o Messias lhes deu a plena convicção de que ele verdadeiramente é o Salvador do mundo. Aqui cessa a ideia provinciana de um salvador tribal, de uma divindade regional. Jesus não é um salvador dentre outros; ele é o Salvador do mundo, e não há outro.

CONCLUSÃO

Neste texto de João, podemos ver o amor de Jesus, pelo pecador ao ir salvar a mulher pecadora de Samaria rompendo as barreiras. Mas também ele nos ensina que o pecador precisa se arrepender para ser salvo. Todos os que foram salvos precisam ser testemunhas do Senhor jesus e levar a mensagem do evangelho aos que estão perdidos, na certeza que no Senhor Jesus há salvação para todos os que o aceitam como como seu Senhor e Salvador, pois nele há perdão e graça para o mais vil pecador.

Adap. Pr. Eli Vieira

Referência Bibliográfica:

1- Wiersbe, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo : Novo Testamento : volume I / Warren W. Wiersbe ; traduzido por Susana E. Klassen. – Santo André, SP : Geográfica editora, 2006.

2- Lopes, Hernandes Dias – João: As glórias do Filho de Deus / Hernandes Dias Lopes. — São Paulo:  Hagnos, 2015Facebook

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Prepare-se Para o Melhor!

 


1 Pedro 3:8-17

Um pastor consagrado, preste a fazer uma cirurgia séria, recebeu a visita de um amigo que foi orar por ele no hospital.

– Algo interessante aconteceu hoje – comentou o pastor. – Uma das enfermeiras olhou para meu prontuário e disse: “Pois é, pelo jeito você está se preparando para o pior!” Eu sorri para ela e respondi: “Não, estou me preparando para o melhor. Eu sou cristão, e Deus prometeu fazer todas as coisas cooperarem para o meu bem”. Rapaz, eu nunca vi uma enfermeira sair de um quarto tão depressa!

Meus irmãos, devemos nos preparar para uma vida vitoriosa, tanto diante dos homens como diante de Deus. Conforme diz Warren Wiersbe, “podemos experimentar as melhores bênçãos nos piores momentos”.

Pedro escreveu esta carta a fim de preparar os cristãos para o “fogo ardente” da tribulação e, no entanto, sua abordagem é otimista e positiva. Sua mensagem é “Preparem-se para o melhor!” Nesta seção, ele dá três instruções que devemos seguir a fim de experimentarmos as melhores bênçãos nos piores momentos. Como podemos nos preparar para o melhor?

1. CULTIVANDO O AMOR CRISTÃO (1 Pe 3:8-12)

Observamos que o amor é um tema que se repete ao longo das cartas de Pedro; não só o amor de Deus por nós, mas também nosso amor pelos outros. Pedro teve de aprender essa lição importante na própria vida, e não foi nada fácil! Jesus precisou ter muita paciência com ele!

Deve-se começar com o amor pelo povo de Deus (1 Pe 3:8). Aqui, a palavra “finalmente” tem o sentido de “em resumo”. Assim como a Lei toda se resume no amor (Rm 13:8-10), também os relacionamentos humanos, como um todo, se cumprem no amor. Isso se aplica a todo cristão em todas as áreas da vida.

Esse amor fica evidente na igualdade de ânimo (ver Fp 2:1-11). Unidade não é o mesmo que uniformidade; unidade é cooperação em meio à diversidade. Apesar de diferentes, as partes do corpo trabalham juntas em unidade. Os cristãos podem discordar quanto à forma de certas coisas, mas devem concordar quanto ao conteúdo e a motivação. Um homem criticou os métodos de evangelismo de D. L. Moody, que, por sua vez, respondeu: “Estou sempre pronto para melhorar. Que métodos vocè usa?” O homem confessou que não tinha método algum! “Então eu fico com o que tenho”, disse Moody. Quaisquer que sejam os nossos métodos, nosso alvo deve ser honrar a Cristo, ganhar os perdidos e edificar a igreja. Algumas abordagens são fiéis às Escrituras, enquanto outras são claramente contrárias aos padrões bíblicos, mas há espaço de sobra para variedade dentro da igreja.

Outro sinal de que há amor é a compaixão, uma empatia sincera em relação aos outros e suas necessidades. O termo “simpatia” tem origem nessa palavra grega. Não se pode endurecer o coração para o semelhante. Deve-se compartilhar tanto as alegrias quanto as tribulações (Rm 12:15). A base para isso é o fato de sermos irmãos e irmãs dentro da mesma família (ver 1 Pe 1:22; 2:17; 4:8; 5:14). Somos “por Deus instruídos que [devemos amar] uns aos outros” (1 Ts 4:9).

O amor revela-se na piedade, na ternura com o outro. No império romano, tal qualidade não era considerada admirável; mas a mensagem do evangelho mudou esse paradigma. Hoje, somos tão bombardeados por notícias ruins que é fácil criar uma couraça e ficar insensíveis. É preciso cultivar a compaixão e mostrar ativamente a outros que nos preocupamos com eles.

Também é preciso ser “humildes”, pois a humildade é a base para a gentileza, e a pessoa humilde pensa primeiro nos outros.

Não se deve apenas amar o povo de Deus, mas também amar os inimigos (1 Pe 3:9). Os destinatários desta carta passavam por certa perseguição pessoal por fazerem a vontade de Deus. Pedro adverte-os de que a perseguição oficial estava preste a começar, de modo que deveriam se preparar. A Igreja de hoje também deve se preparar, pois temos adiante tempos difíceis.

Como cristãos, vivemos em um de três níveis. É possível retribuir o bem com o mal – o nível satânico. É possível retribuir o bem com o bem e o mal com o mal – o nível humano. Ou é possível retribuir o mal com o bem – o nível divino. Jesus é o exemplo perfeito desta última abordagem (1 Pe 2:21­ 23). Como filhos amorosos de Deus, nossa filosofia não deve ser “olho por olho, dente por dente” (Mt 5:38-48), o fundamento da justiça. Devemos atuar com base na misericórdia, pois é assim que Deus nos trata.

É bem provável que essa admoestação tivesse um significado profundo para Pedro, pois, em certa ocasião, ele tentou lutar contra os inimigos de Jesus com uma espada (Lc 22:47-53). Antes de se converter, quando ainda era rabino, Paulo usou de todos os meios possíveis para se opor à Igreja; mas quando se tornou cristão, nunca usou armas humanas para lutar nas batalhas de Deus (Rm 12:17-21; 2 Co 10:1-6). Quando Pedro e os outros apóstolos foram perseguidos, confiaram na oração e no poder de Deus, não na própria sabedoria ou força (ver At 4:23ss).

Precisamos ser lembrados com frequência de nosso chamado como cristãos, pois isso nos ajuda a amar os inimigos e a lhes fazer o bem quando nos maltratam. Somos chamados para “[receber] bênção por herança”. As perseguições que sofremos na Terra hoje enriquecem nossa herança bendita de glória que desfrutaremos um dia no céu (Mt 5:10-12). Mas, ao tratarmos os inimigos com amor e misericórdia, também herdamos uma bênção hoje. Ao compartilhar uma bênção com eles, somos abençoados! A perseguição pode ser um tempo de enriquecimento espiritual para o cristão. Os santos e mártires da história da Igreja dão testemunho desse fato.

Devemos amar uns aos outros, amar os inimigos e amar a vida (1 Pe 3:10-12). A notícia da perseguição iminente não deveria levar o cristão a desistir da vida. Os tempos que, para o mundo, são “dias sombrios”, para o cristão podem ser “dias felizes”, se cumprir certas condições.

Em primeiro lugar, é preciso tomar o firme propósito de amar a vida. Trata-se de um ato da volição: “Pois quem quer amar a vida”. É uma atitude de fé capaz de ver o que há de melhor em cada situação. É o oposto da atitude pessimista expressa em Eclesiastes 2:17: “Pelo que aborreci a vida, […] tudo é vaidade e correr atrás do vento”. Podemos resolver suportar a vida e torná-la um fardo, escapar da vida como se estivéssemos fugindo da batalha, ou desfrutar a vida, porque sabemos que Deus está no controle. Pedro não sugere um tipo de exercício psicológico que afaste da realidade e faça negar os fatos. Antes, insta seus leitores a abordarem a vida de maneira positiva e pela fé, aproveitando ao máximo cada situação.

Em segundo lugar, é preciso controlar a língua. Muitos problemas da vida são causados por palavras erradas, ditas com o espírito errado. Todo cristão deve ler Tiago 3 com frequência e orar as palavras do Salmo 141:3 diariamente. Pedro sabia muito bem como são tristes as consequências das palavras impensadas! Não há lugar para mentiras na vida do cristão.

Em terceiro lugar, é preciso amar o bem e detestar o mal. Precisamos tanto do positivo quanto do negativo. O termo “apartar-se” significa não apenas “evitar”, mas “evitar alguma coisa porque a desprezamos e a consideramos repugnante”. Não basta evitar o pecado porque ele é errado. É preciso afastar-se dele por detestá-lo.

Por fim, é preciso buscar a paz e se empenhar por alcançá-la. “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5:9). Quem sai à procura de encrenca não terá dificuldade em encontrá-la. Não se trata de uma política de “paz a qualquer preço”, pois a paz deve sempre ser baseada na justiça (Tg 3:13-18). Significa apenas que o cristão deve usar de modera­ção ao se relacionar com as pessoas e não criar problemas só porque deseja que as coisas sejam feitas a sua maneira. “Se possí­vel, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Rm 12:18). Por vezes, isso não é possível! Em Romanos 14:19 somos admoestados a trabalhar com afinco para obter a paz, pois ela não ocorre naturalmente.

– Mas e se nossos inimigos se aproveitarem de nós? – um cristão perseguido pode perguntar. – Talvez nós estejamos buscando a paz, mas eles estão procurando guerra!

Pedro assegura seus leitores de que os olhos do Senhor estão sobre seu povo, e seus ouvidos estão abertos para suas ora­ções (Pedro aprendeu essa lição ao tentar caminhar sobre as águas sem olhar para Jesus; Mt 14:22-33). Devemos confiar que Deus nos protegerá e proverá, pois somente ele pode derrotar nossos inimigos (Rm 12:17-21).

Essas citações de Pedro são do Salmo 34:12-15, de modo que pode ser proveitoso ler o salmo inteiro. Ele descreve o conceito divino de “dias felizes”. Não são, necessariamente, dias sem dificuldades, pois o salmista escreve sobre seus medos (SI 34:4), problemas (SI 34:6, 17), aflições (SI 34:19) e até mesmo sobre seu coração quebrantado (SI 34:18). Para um cristão que ama a vida, um “dia feliz” não implica ser mimado e protegido, mas sim experimentar o socorro e as bênçãos de Deus por causa dos problemas e das tribulações da vida. É um dia no qual ele engrandece ao Senhor (SI 34:1-3), recebe repostas a suas orações (SI 34:4-7), prova a bondade de Deus (SI 34:8) e sente a proximidade de Deus (SI 34:18).

Da próxima vez que pensar que está tendo um “péssimo dia” e detestar a vida, convém ler o Salmo 34, a fim de descobrir que, na verdade, está tendo um “dia feliz” para a glória de Deus!

2. VIVENDO SUJEITOS AO SENHORIO DE CRISTO (1 Pe 3 :13 – 15)

Estes versículos introduzem a terceira seção principal de 1 Pedro – a graça de Deus no sofrimento. Apresentam o princípio espiritual importante de que o temor do Senhor conquista todos os outros temores. Pedro cita Isaías 8:13, 14 para apoiar sua admoesta­ção: “Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração” (1 Pe 3:15).

O contexto das palavras de Isaías é significativo. Acaz, rei de Judá, enfrentava uma crise em função de uma invasão iminente do exército assírio. Os reis de Israel e da Síria queriam que Acaz se juntasse a eles em uma aliança, mas Acaz recusou-se, de modo que Israel e a Síria ameaçavam invadir Judá! Nos bastidores, Acaz aliou-se à Assíria. O profeta Isaías o advertiu sobre alianças ímpias e o instou a confiar que Deus daria o livramento. “Ao S e n h o r dos Exércitos, a ele santificai; seja ele o vosso temor, seja ele o vosso espanto” (Is 8:13).

Todo cristão enfrenta crises e é tentado a ceder aos medos e a tomar decisões erradas. Mas “[santificando] a Cristo como Senhor” no coração, jamais será preciso temer os homens ou as circunstâncias. O inimigo pode nos ferir, mas não nos derrotar. Somente nós mesmos podemos nos derrotar ao deixar de confiar em Deus. De modo geral, ninguém se opõe a nós quando fazemos o bem; mas mesmo se houver tal oposição, é melhor sofrer por aquilo que é justo do que comprometer o testemunho. Pedro trata desse tema em detalhes em 1 Pedro 4:12-19.

Se Jesus Cristo for o Senhor do coração, em vez de sentir medo diante do inimigo, é possível experimentar bênçãos. O termo “bem-aventurados” em 1 Pedro 3:14 é o mesmo empregado em Mateus 5:1 Oss. Trata-se de parte da “alegria indizível e cheia de glória” (1 Pe 1:8).

Quando Jesus Cristo é Senhor da vida, cada crise torna-se uma oportunidade para testemunhar. Estamos “sempre preparados para responder”. O termo apologia vem da palavra grega traduzida por “resposta” e significa “uma defesa apresentada em um tribunal“. A “apologética” é o ramo da teologia que trata da defesa da fé. Todo cristão deve ser capaz de defender de maneira fundamentada sua esperança em Cristo, especialmente em meio a situações desesperadoras. Quando o cristão age com fé e esperança, uma crise gera a oportunidade de testemunhar, pois essa diferença em atitude chama a atenção dos incrédulos.

O testemunho deve ser dado “com mansidão e temor [respeito]”, não com arrogância nem com uma postura de quem sabe tudo. Somos testemunhas, não advogados de acusação! Também é preciso estar certos de que a vida corrobora a apologia. Pedro não sugere que os cristãos argumentem com os incrédulos, mas sim que lhes apresentem de maneira amorosa um relato daquilo que crêem e os motivos para tais convicções. O objetivo não é ganhar uma discussão, mas sim ganhar almas perdidas para Cristo.

O que significa “[santificar] a Cristo como Senhor” no coração? Significa entregar tudo a ele e viver de modo a lhe agradar e a glorificá-lo. Significa maior temor de lhe desagradar do que medo do que os homens podem fazer. Essa abordagem simplifica a vida de maneira maravilhosa! Trata-se de uma combinação de Mateus 6:33 e de Romanos 12:1,2 em uma atitude diária de fé que obedece à Palavra de Deus apesar das consequências. Significa não se contentar com menos do que a vontade de Deus na vida (Jo 4:31-34). Um dos sinais de que Jesus Cristo é Senhor da vida é a prontidão com que testemunhamos a outros sobre ele e procuramos ganhá-los para Cristo.

3. MANTENDO UMA BOA CONSCIÊNCIA (1 Pe 3:16,17)

A palavra “consciência” vem de dois termos latinos: com, que tem o mesmo significado em nossa língua, e “saibamos como, que significa “saber”. A consciência é o árbitro interior que testemunha a nós, permitindo que “saibamos com”, aprovando ou censurando nossas ações (ver Rm 2:14, 15). A consciência pode ser comparada a uma janela que deixa entrar a luz da verdade de Deus. Se persistimos em desobedecer, a janela torna-se cada vez mais suja, até o ponto em que a luz não pode mais entrar. Isso leva a uma “consciência […] corrompida” (Tt 1:15). A consci­ência “cauterizada” é aquela contra a qual já se pecou tantas vezes que ela perde sua sensibilidade para o certo e o errado (1 Tm 4:2). A consciência pode encontrar-se de tal modo corrompida a ponto de aprovar quando a pessoa faz algo mau e de censurá-la quando faz algo bom! É isso o que a Bí­blia chama de “má consciência” (Hb 10:22).

O criminoso sente-se culpado se delata os amigos, mas se sente bem se consegue realizar um crime com sucesso!

A consciência depende do conhecimento, a “luz” que passa pela janela. Ao estudar a Palavra, o cristão passa a compreender melhor a vontade de Deus, e sua consciência torna-se mais sensível para o que é certo e errado. Uma “boa consciência” nos acusa quando pensamos ou fazemos algo errado e aprova quando fazemos algo certo. Manter a consciência forte e pura é algo que exige “esforço” (At 24:16). Sem crescer em conhecimento espiritual e em obediência, teremos uma “consciência fraca” (1 Co 8).

De que maneira uma boa consciência ajuda o cristão em tempos de tribulação e de oposição? Em primeiro lugar, o fortalece com coragem, pois ele sabe que sua vida está em ordem com Deus e com os homens, de modo que não há coisa alguma a temer. O monumento a Martinho Lutero em Worms, na Alemanha, traz a seguinte inscrição, com suas palavras de coragem proferidas diante do concílio da igreja em 18 de abril de 1521: “Esta é a minha posição; não posso agir de outra maneira. Que Deus me ajude. Amém”. Sua consciência vinculada à Palavra de Deus lhe deu coragem de desafiar toda a igreja como instituição!

Uma boa consciência também dá paz ao coração e, quando temos paz interior, é possível enfrentar as batalhas exteriores. A inquietação de uma consciência desconfortável divide o coração e esgota as forças de uma pessoa, impedindo que ela dê o melhor de si. Como é possível testemunhar de Cristo com ousadia quando a consciência está testemunhando contra nós?

Uma boa consciência remove o medo do que outros talvez saibam a nosso respeito e do que possam dizer ou fazer contra nós. Quando Cristo é Senhor e tememos somente a Deus, não é preciso ter medo de ameaças, opiniões ou ações de inimigos. “O S e n h o r está comigo; não temerei. Que me poderá fazer o homem?” (SI 118:6). Foi isso o que Pedro não conseguiu entender quando temeu o inimigo e negou o Senhor.

Pedro deixa claro que a consciência de per si não serve como teste para o que é certo ou errado. Uma pessoa pode praticar “o que é bom” ou praticar “o mal”. A pessoa que desobedece à Palavra de Deus e declara que isso é certo simplesmente porque sua consciência não a acusa está admitindo que há algo extremamente errado com sua consciência. A consciência é um guia seguro somente quando é instruída pela Palavra de Deus.

Na sociedade de hoje, a tendência é os cristãos serem, cada vez mais, alvo de acusa­ções e de mentiras. Nossos padrões pessoais são diferentes daqueles do mundo não cristão. Via de regra, os cristãos não criam problemas, mas apenas os revelam. Quando um cristão começa a trabalhar em um escritório ou se muda para um apartamento com colegas não cristãos, os problemas não custam a surgir. Os cristãos são luz em um mundo de trevas (Fp 2:15) e revelam as “obras infrutíferas das trevas” (Ef 5:11).

Quando José começou a servir como mordomo na casa de Potifar e se recusou a pecar, foi acusado falsamente e lançado na prisão. Os líderes do governo na Babilônia tramaram para colocar Daniel em apuros, pois sua vida e seu trabalho testemunhavam contra eles. Por meio de sua vida aqui na Terra, o Senhor Jesus Cristo revelou o cora­ção e os atos pecaminosos do povo e, por isso, foi crucificado (ver Jo 15:15-25). “Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3:12).

A fim de manter uma boa consciência, é preciso tratar do pecado na vida e confessá-lo de imediato (1 Jo 1:9). Deve-se “manter a janela limpa” e gastar tempo com a Palavra de Deus para “deixar a luz entrar”. Uma consciência forte é resultante de obediência baseada em conhecimento. Torna o cristão uma testemunha vigorosa para os não salvos e lhe dá forças em tempos de perseguição e de dificuldades.

O sofrimento do cristão não deve ser decorrente de praticar o que é mau, e nenhum cristão deve se surpreender ao sofrer por praticar o que é bom. Nosso mundo está tão confuso que as pessoas “fazem da escuridade luz e da luz, escuridade” (Is 5:20). Os líderes religiosos do tempo de Jesus o chamaram de “malfeitor”, isto é, “alguém que faz aquilo que é mal” (Jo 18:29, 30). Como as pessoas podem enganar-se!

Quando a igreja enfrenta tempos difíceis, o melhor a fazer é cultivar o amor cristão, pois a ajuda e o encorajamento mútuos são mais necessários do que nunca. Também se deve manter uma boa consciência, pois ela fortalece a determinação e confere ousadia ao testemunho. O segredo é viver sujeitos ao senhorio de Jesus Cristo. Ao temer a Deus, não é preciso ter medo de homens. “A vergonha surge quando se teme os homens”, disse Samuel Johnson. “A consciência, por sua vez, nasce do temor a Deus.

Adp. WW/EVF

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

CALEBE, UM EXEMPLO DE FÉ

 


Calebe, um homem que decidiu em seguir ao Senhor

Josué 14.6-15

Calebe foi um herói da fé, sua vida é um exemplo de fé e perseverança para que hoje nós possamos continuar firmes nas promessas do Senhor independente das circunstâncias.

Este texto registra uma conversa entre Josué e Calebe, os dois únicos homens que confiaram nas promessas de Deus que daria para o povo de Israel uma terra com riqueza e abundância, enquanto os outros espias foram incrédulos. Eles saíram do Egito de maneira espetacular, atravessaram o deserto sendo alimentados todos os dias de forma milagrosa. Chovia alimento, o maná que Deus enviava para Israel todos os dias e até fez brotar água  da rocha para saciar a sede dos israelitas. Mas quando chegou a hora de tomar posse da terra prometida, os dez espias que foram enviados para olhar a terra de Canaã, ficaram com medo dos gigantes que habitavam aquela terra.

Dos doze homens enviados para espiar a terra, apenas dois: Josué e Calebe trouxeram uma visão positiva a respeito das possibilidades de conquistar aquela terra prometida pelo Senhor, pois eles decidiram em confiar em Deus.

O povo como sempre, ficou do lado da maioria, pois se deixaram levar pelo discurso dos dez espias. Preferiram acreditar no relato dos dez do que no relato de dois. Isso não é novidade, como a gente pode ver aqui, a maioria prefere a maioria.

Calebe não fez como a maioria que diante do relato dos homens tiveram medo, deixaram morrer sua fé e esperança. Aos oitenta e cinco anos o servo do Senhor Calebe afirma: “Estou pronto. Treinei esse tempo todo. Não desisti, não morri. Minha fé e esperança continuam aqui gerando perseverança. Estou pronto”. 

Calebe era representante da tribo de Judá entre os doze espias enviados por Moisés de Cades-Barneia para espiarem a terra Prometida. Josué representavam a tribo de Efraim na mesma missão. Eles eram os únicos espias que ainda viviam, de todos os Israelitas que saíram do Egito, por crerem na promessa de Deus e serem fiéis a Ele.

Moisés fez uma promessa a Calebe quando ele visitou a terra de Canaã como espia. O verso 9 registra esta promessa de Moisés a Calebe: “Certamente a terra em que puseste o pé será tua e de teus filhos, em herança perpetuamente; pois perseveraste em seguir o SENHOR meu Deus.”  Aqui está a chave para a felicidade. A perseverança é a chave. Com este homem de fé podemos aprender como reagir diante das adversidades e a extrema importância de perseverar no Senhor. Calebe foi um homem de fé:

I. PORQUE ELE NÃO SE DEIXOU LEVAR PELA INCREDULIDADE (Números 13.25-33).

Os próprios israelitas pediram a Moisés o envio de espias para saber como era a terra (Dt 1.22). Uma atitude desnecessária e incrédula da parte do povo, porque Deus já lhes havia falado que a terra da promessa era fértil e abundante. Que prova a mais esse povo necessitava? O povo não falhou diante da Terra Prometida, já havia falhado aqui, demonstrando incredulidade naquilo que Deus havia dito e preferido andar por vista em vez de agir por fé.

Moisés ouviu o conselho do povo e escolheu doze homens para espiar a terra de Canaã. Eles deveriam observar o local, expor um relatório completo de tudo que iriam presenciar e trazer sobre aquela terra (Nm 13.18-20).

Confiados apenas no que viram na terra de Canaã, sem atentar para o que ouviram da parte de Deus, deram ocasião a dúvida e assim desistiram de tomar posse da promessa (Pv 3.5, 6). Porque eles se deixaram levar por uma visão negativa e pessimista, não obstante a manifestação do poder de Deus sobre eles, pois no deserto Israel era protegido durante o dia por uma coluna de nuvem e a noite por uma coluna de fogo, de tal maneira que eles podiam caminhar de dia e de noite (Êxodo 13.21,22; 14.24; 40.38; Números 14.14; Neemias 9.12,19; Salmos 99.7; 105.39; 1 Coríntios 10.1). A coluna de nuvem protegia o povo do sol escaldante do deserto e a coluna de fogo aquecia e guiava o povo de Israel durante a noite. A Palavra de Deus nos diz que a coluna de fogo e de nuvem jamais se apartava dos israelitas (Êxodo 13.22), isto era a certeza da proteção e da orientação de Deus continuamente.

Os espias foram enviados para colher informações da terra prometida, não para fazer cálculos negativos de si mesmos, nem comparações acerca da estatura de seus moradores. Deus não disse nada a respeito, eles mesmos se inferiorizaram e disseram que não podiam (Nm 13.31-33). O problema todo estava na visão destes homens incrédulos. Todos temeram, inclusive Josué e Calebe. Mas eles viram a questão de outra forma e acreditavam no mesmo poder que os havia libertado do Egito (Nm 13.30). O discurso dos dez espias conduziu o povo a cair na incredulidade, na derrota, na perda da herança e no juízo de Deus. Tanto a confiança quanto a incredulidade contagiam. Podemos animar ou desanimar através de nossas palavras e atitudes (Js 14.8).

A incredulidade do povo fez com que o Senhor emitisse uma sentença (Nm 14.22, 23). Porém, com Calebe, o Senhor agiu de maneira diferente dizendo: “Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me eu o levarei à terra em que entrou, e a sua descendência a possuirá em herança” (Nm 14.24).

II. PORQUE ELE DECIDIU OBEDECER A DEUS (Nm 14.24; Josué 14.7,8).

Meus irmãos, não obstante o relatório dos companheiros de Calebe e a atitude do povo, Calebe decidiu obedecer e seguir ao Senhor. Vede o que diz o texto: “Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me eu o levarei à terra em que entrou, e a sua descendência a possuirá em herança” (Nm 14.24). Houve um momento em que Calebe teve que decidir entre seguir o povo ou seguir a Deus. Ele escolheu ser odiado pelo povo, tomando a firme decisão de eleger o Senhor como seu Deus. Calebe não quis seguir sua vontade própria, nem a dos demais. Ele decidiu por Deus, mesmo não sendo o caminho mais fácil.

Durante quarenta anos, ele e seu amigo Josué a andaram em círculo com seus irmãos, mesmo estando certo de que aquela era a terra de sua herança. Ele possuía motivos para desistir e desanimar, mas perseverou em seguir ao Senhor de todo o coração e Deus honrou a sua fé.

Podemos ver a luz da Palavra de Deus que Calebe tinha uma profunda confiança em Deus. Calebe era possuidor de uma confiança que subjugava o medo, as circunstâncias e a morte (Nm 14.9). Enquanto ele via o inimigo como pão, os outros dez se viam como gafanhotos. A incredulidade sempre encontra um porquê e maximiza o problema. Não há relato de que foram vistos com desprezo pelos filhos de Enaque, mas eles disseram: “éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos” (Nm 13.33). Eles incendiaram a alma do povo com um relato maior que a realidade e, por esse triste relatório, foram os primeiros a morrer (Nm 14.37).

O que aprendemos com Calebe não é a forma como vemos as coisas, mas como reagimos diante delas. Confiar em Deus não nos isenta de enfrentar problemas. Porém, se a perspectiva contém Deus e se é vista desde Sua ótica, tudo muda de forma radical. As circunstâncias enfrentadas serão as mesmas. Todavia, com Sua presença na batalha, teremos a força necessária para superar os obstáculos e ainda nos mantermos firmes até o final. A fé vê as circunstâncias através da ótica de Deus, foi esta a visão de Calebe (Nm 13.30; 14.9), também foi a visão de Davi quando enfrentou o gigante Golias (I Samuel 17.26b).

A incredulidade não vê Deus porque se fixa nas circunstâncias. Ela é caracterizada pela exclusão de Deus do seu raciocínio (Nm 13.31-33). Mas, quando o homem vive em obediência a Deus, não pode deixar de ver as lutas e os desafios de conformidade cm a ótica de Deus. Pois, se incluirmos Deus, todo o nosso raciocínio incrédulo se tornará anão diante de Sua maravilhosa e poderosa Presença (Hb 10.35-39).

Por que Deus conservou Calebe em vida? (Js 14.10). Primeiro, para sustentar o que havia prometido ao seu respeito acerca de sua entrada na Terra Prometida, porque certamente não o deixaria morrer sem que essa palavra se cumprisse. Segundo, porque no deserto o Senhor o fortalecia (Js 14.11). Calebe conhecia ao peso da Palavra do Senhor e sabia que, mesmo o deserto consumindo a todos, sua herança estava garantida (Nm 23.19). Quanto mais os anos se passavam, mais Calebe se fortalecia.

III. PORQUE ELE FOI UM HOMEM PERSEVERANTE (Josué 14.9-14)

Calebe não podia embasar sua confiança nos companheiros de missão, nem tampouco esperar qualquer reação de um povo impactado pelo medo. Ele teve que escolher entre seu povo e seu Deus. Perseverar foi para ele remar contra a maré e sofrer até que os dias de sentença se cumprissem. Mas, com ele podemos aprender que a perseverança é o segredo da vitória.

A perseverança nos contagia, porque não é fácil suportar quarenta e cinco anos de humilhação e manter-se com a mesma força e vitalidade (Dt 8.3). Calebe viveu pelo que acreditava e esse foi o segredo de sua inabalável fé e perseverança.

Calebe jamais pensou em desistir da terra que pisou o seu pé. Ele sabia que, mesmo habitada por gigantes, aquela era a terra de sua herança e, se Deus havia escolhido essa, não lhe importava outra (Dt 1.36). Calebe quis o plano original, descartou a possibilidade de um plano “b”, não permitindo que o tempo nem as circunstâncias aniquilassem aquela promessa. Calebe se destaca porque tinha em seu coração uma real convicção de que Deus estava dirigindo sua vida (Js 14.7). O próprio Deus afirmou que Calebe era homem de um espírito diferente, não somente por sua posição de fé, mas porque sua forma de agir e pensar se destacou diante dos demais (Nm 14.24).

Para muitas pessoas, a vida, além de ser uma tarefa difícil, algumas vezes pode ser absolutamente insuportável. E por que precisamos de perseverança? Porque ela é essencial, a única chave que pode abrir a porta da esperança (Rm 5.3-5). É mediante a perseverança que se constrói um caráter forte, sólido e esperançoso, que nos motiva a viver e lutar por nossos ideais.

Conta-se a história de um prisioneiro cristão que orava muito crendo que um dia seria liberto. Mas com o passar do tempo a sua esperança foi esvaindo-se. Já pensava que Deus o esquecera. Um dia, enquanto olhava a porta da cela, viu ali uma formiga subindo com uma folha várias vezes maior. Com muito esforço ela subiu um pouco, mas caiu com o peso da carga. A formiga voltou a subir carregando a folha. Caiu mais uma vez, mas pôs-se a subir novamente. Outras vezes era a própria folha que caía. Ela voltava, pegava a folha e retomava a subida. A formiga fez isso dezenas de vezes, muitas vezes tendo que recomeçar quando já estava bem perto de alcançar o seu objetivo. Então, aquele prisioneiro percebeu que a resposta à sua necessidade era perseverança e fé. Ele precisava ser firme na busca do seu alvo, crendo que de alguma maneira Deus o levaria até lá. Ele descobriu que precisava perseverar e crer.

Uma coisa é envelhecer no Senhor, outra bem diferente é crescer no Senhor, Calebe não somente envelheceu, ele conservou sua força através dos anos> Seria insano alguém ouvir o médico diagnosticar sua doença e pensar que, pelo fato de ter conversado com ele, o mal irá desaparecer repentinamente. Assim é a Palavra ouvida sem a prática (Tg 1.25). Infelizmente, Deus não ofereceu uma fórmula que produza cristãos amadurecidos da noite para o dia (Ef 4.13). Não há como fugir dos problemas, mas podemos nos preparar para confrontar nossos reveses, encará-los firmados em Cristo (Ef 6.10. 11).

CONCLUSÃO.

Calebe sofreu o desconforto de caminhar quarenta anos errante pelo deserto, por causa da desobediência dos seus irmãos. Mesmo assim, conservou suas forças e expulsou os mesmos gigantes que seus irmãos se recusaram a enfrentar. Calebe se distinguiu dos demais por ser perseverante e diferenciado. Que essas qualidades nos contagiem hoje! Que não venhamos a temer os desafios diante de nós, mas enfrentemos na dependência de Deus na certeza que ele é o Deus da providência. Nunca desista mas sejamos perseverantes para a glória de Deus.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

“Sou um juiz melhor por causa de Jesus”, diz William Douglas


William Douglas em evento da Lifeshape Brasil em SP. (Foto: Davi Seiffert)

O desembargador federal afirma ser um homem de dois livros: a Bíblia e a Constituição.

Durante um encontro com pastores, líderes e profissionais cristãos na última quarta-feira (17), em São Paulo, o desembargador federal William Douglas apresentou-se como “um homem de dois livros” — a Bíblia e a Constituição.

“O primeiro e mais importante é a Bíblia. Sou cristão, aceitei Jesus e esse livro me direciona. Mas eu também sou professor universitário e desembargador federal no Tribunal Regional Federal da 2ª região, então meu outro livro é a Constituição Federal. Enquanto o primeiro livro depende de fé para ser seguido, o segundo é a grande regra para todos os brasileiros, quer você goste ou não”, disse William.

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O juiz federal foi palestrante de um evento promovido pela Lifeshape Brasil, uma organização cristã que atua no desenvolvimento de lideranças. Também estiveram presentes executivos da Chick-fil-A, empresa baseada em valores cristãos nos EUA.

Dentro da temática do encontro, no qual o Guiame esteve presente, William Douglas foi chamado a responder à pergunta: Como o cristão pode ser relevante na sociedade? 

Ele então começou a refletir: “Antes disso, eu pergunto: como o cristianismo foi relevante na minha vida?”

“Sou pai, marido e um cidadão muito melhor do que seria se não fosse Jesus”, disse ele. “Jesus criou um juiz que se preocupa com o próximo. Se não fosse isso, estaria apenas preocupado com a minha carreira.”

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Trajetória impulsionada pelos “nãos”

Até conseguir vender mais de 1, 2 milhão de livros e dar palestras para mais de 2,5 milhão de pessoas no Brasil, William Douglas teve que lidar com muitos “nãos”.

Os primeiros “nãos” foram no início, nas repetidas reprovações nos concursos públicos. Depois de procurar ajuda entre os primeiros colocados das provas e ouvir o simpático conselho “se vira”, Douglas resolveu estudar com mais empenho e foi aprovado não apenas em uma, mas em diversas provas.

Ele foi o 1º colocado nos concursos para juiz de direito, defensor público e delegado de polícia. Além disso, também conseguiu ser o 3º colocado no concurso nacional de monografias sobre a Justiça Federal, 4º colocado para professor de direito na Universidade Federal Fluminense, 5º colocado no para analista judiciário e 8º colocado para Juiz Federal.

Muitas pessoas passaram a procurá-lo para entender como ele passou a conseguir tantas aprovações. A resposta “se vira”, na visão cristã de William, não era a mais adequada. Então ele decidiu publicar um livro de 700 páginas com dicas.


Encontro entre executivos da Chick-fil-A e líderes em SP. (Foto: Davi Seiffert)

Nessa fase, William encarou mais “nãos” — as editoras não enxergaram vantagem em publicar este tipo de conteúdo. Mais uma vez, o juiz federal decidiu fazer diferente. Ele fundou a Impetus, sua própria editora.

Daí surgiu o best seller “Como passar em provas e concursos“, o que o levou a ser conhecido como o “guru dos concursos”.

Testemunho na vida profissional

William acredita que até mesmo o desempenho e os resultados profissionais podem testemunhar o caráter cristão.

Em 2020, seu último ano atuando em um Tribunal de Primeira Instância, a 4ª Vara Federal de Niterói, a produtividade de sua equipe era de 121%.

“Um juiz foi na 4ª Vara perguntar para mim: William, como você consegue com o mesmo número de funcionários, o mesmo tipo de processo e o mesmo equipamento, produzir tão mais do que os outros?”

Ao responder, William entregou a ele o livro “As 25 leis bíblicas do sucesso”, um exemplar da Bíblia e disse: “Aqui nós praticamos a Bíblia — não de forma proselitista, mas de forma laica”, esclareceu. 

“Ele foi ao meu gabinete para ser evangelizado. Eu não tive que ir ao mundo, o mundo veio até mim quando eu tive um resultado secular que atrai.”

Luz do mundo

William afirma que costuma passar à sua equipe de trabalho algumas verdades bíblicas, como a de Efésios 6:7-8, que diz: “Sirvam aos seus senhores de boa vontade, como ao Senhor, e não aos homens, porque vocês sabem que o Senhor recompensará a cada um pelo bem que praticar, seja escravo, seja livre.”

“Eu ensino que a Bíblia diz que você deve tratar o público como gostaria de ser tratado. Você deve tratar como se fosse o próprio Jesus Cristo. Jesus Cristo está no balcão. Tudo o que fizermos, devemos fazer de todo o coração, como se fosse para Deus”, disse.

E destacou: “É absolutamente fantástico o resultado que você tem quando pessoas não cristãs entendem que os princípios bíblicos funcionam, independente da tradição religiosa. E no caso dos cristãos, quando você consegue mostrar para eles que seu trabalho é um campo missionário e um campo de serviço”.

“O que evangeliza é sermos cartas vivas de Cristo, o nosso comportamento. As palavras às vezes são úteis”, acrescentou.

Por fim, William lembra do chamado de Jesus a todos os cristãos, para serem “luz do mundo”.

“Imputa-se às empregadas domésticas evangélicas o crescimento do Evangelho na classe média”, exemplificou. “Temos que ser brilhantes em tudo o que fazermos, e quando virem as nossas boas obras, nós temos que dizer: não sou eu, é o Cristo que vive em mim. E isso servirá de testemunho, evangelismo, glória para Cristo e para melhorar esse mundo.”

FONTE: GUIAME, LUANA NOVAES

terça-feira, 23 de maio de 2023

UMA IGREJA REVESTIDA DE PODER

 


 

“Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8).

Os Evangelhos e o Livro de Atos dos Apóstolos tratam da grande comissão dada por Jesus aos seus discípulos. Está claro que antes de enviar a igreja ao mundo, Jesus enviou o Espírito Santo à igreja. Essa ordem jamais pode ser alterada. No texto em tela, há três verdades que são dignas de destaque. Vejamos:

Em primeiro lugar, a origem do poder. “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo…”. O poder que capacita a igreja não vem da terra, emana do céu; não procede dos homens, provém do Espírito Santo. A igreja não pode cumprir a grande comissão sem o poder do Espírito. Sem poder, a igreja não está apta para viver, para pregar nem para morrer. Não há cristianismo sem poder. O evangelho é o poder de Deus. O reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder. O Espírito Santo é a fonte do poder. A suprema grandeza do poder de Deus está à disposição da igreja. O mesmo poder que esteve sobre Jesus, está sobre a igreja. O mesmo poder que ressuscitou Jesus dentre os mortos, capacita a igreja para viver vitoriosamente.

Em segundo lugar, o propósito do poder. “… e sereis minhas testemunhas…”. O propósito do poder do Espírito é capacitar a igreja a testemunhar. A igreja precisa de poder e poder para que? Poder para tirar os olhos da especulação escatológica para fixá-los na obra missionária (At 1.4-8). Poder para perdoar, uma vez que a inimizade entre judeus e samaritanos só poderia ser vencida pelo poder do Espírito. Poder para levar a mensagem da salvação para fora dos limites de Israel, chegando a todas as etnias da terra. Poder para morrer. A palavra “testemunha” é a tradução do vocábulo grego martyria, de onde procede a palavra “mártir”. É o poder do Espírito Santo que capacita a igreja a enfrentar o ódio do mundo e a carranca do diabo. É o poder do Espírito Santo que deu coragem aos apóstolos para enfrentar as prisões e os açoites em Jerusalém. É o poder do Espírito Santo que revestiu de força os cristãos para suportar a amarga perseguição promovida pelos imperadores romanos. É o poder do Espírito Santo que capacitou os cristãos a enfrentarem o martírio. Milhares de cristãos foram crucificados, queimados vivos e jogados às feras sem negar a sua fé. Ninguém consegue deter os passos de uma igreja cheia do Espírito Santo. Nenhuma força na terra nem mesmo no inferno pode intimidar uma igreja revestida com o poder do Espírito Santo.

Em terceiro lugar, a extensão do poder. “… tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”. A igreja precisa de poder para sair das quatro paredes e levar o evangelho à sua cidade, ao seu Estado, à sua nação e a todas as etnias da terra. Sem poder, a igreja ficará estagnada. Sem poder, ela não levantará os olhos para ver os campos que branquejam para a ceifa. Sem poder, a igreja transformará a koinonia em koinonite, a comunhão em relacionamentos doentesSem poder, a igreja olhará apenas para seu próprio umbigo. Sem poder, a igreja apagará sua lâmpada e deixará de ser luz para as nações. Nunca é demais enfatizar que o campo da igreja é o mundo. Não é primeiro aqui e depois lá. É aqui e lá ao mesmo tempo. A igreja proclama o evangelho em sua cidade, anuncia as boas novas de salvação em sua região, ultrapassa barreiras raciais e culturais e avança até aos confins da terra.

Estamos nós revestidos com o poder do Espírito Santo? Somos luz para as nações? Temos experimentado esse poder do alto? Somos uma igreja martírica e missionária? A grande comissão não pode ser transformada em grande omissão. É tempo de a igreja ser revestida com o poder do Espírito Santo!

Rev. Hernandes Dias Lopes

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